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Nogueira Leite

Angel Gurria "fez um péssimo serviço à OCDE"

Económico com Lusa  
28/09/10 12:44

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Nogueira Leite considera que as palavras do secretário-geral da OCDE são "absolutamente inaceitáveis".

"São palavras absolutamente inaceitáveis de um senhor que fez parte de um Governo que durante 70 anos teve o México sob mão de ferro, naquilo a que muita gente apelidou da ditadura perfeita, esse senhor de facto não tem nível para estar no lugar que está", afirmou

António Nogueira Leite, à margem da reunião de Pedro Passos Coelho com 20 economistas, que decorreu hoje em Lisboa. Nogueira Leite acusou mesmo Angel Gurria de "vilipendiar" a reputação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) ao realizar "números políticos", criticando fortemente o secretário-geral da organização.

"Penso que o senhor Angel Gurria fez um péssimo serviço à OCDE", disse.

O membro da comissão nacional do PSD, afirmou ainda que partilha da ideia de que "as negociações devem ter lugar, a haver, no Parlamento" e, não querendo adiantar o que foi discutido durante a reunião de hoje, aproveitou para lançar farpas a José Sócrates.

"O doutor Passos Coelho, em relação a alguns outros líderes, tem a grande capacidade de não se irritar quando as pessoas têm opiniões diversas e isso permite que lá dentro façamos de facto um discurso bastante aberto", adiantou o economista.

Nogueira Leite reagiu ainda à nova subida dos juros exigidos pelos investidores nos mercados internacionais para comprarem os títulos de dívida portugueses, que no caso da dívida com maturidade a dez anos continua a ultrapassar máximos históricos, acusando o Governo de ser o responsável por esta situação.

"Estão [a subir os juros] porque o Governo não tem governado. O Governo fez um ajustamento, de que o senhor primeiro-ministro se gabou aqui há uns tempos, que foi um ajustamento com a despesa corrente primária a crescer de 38 para mais de 41 por cento do produto, Portugal é um pais hoje que tem uma dívida externa que em percentagem do produto é a maior dos países da zona euro", afirmou.

"Se tivermos em conta as obras faraónicas dos vários ministros, das obras públicas, levam uma dívida global na casa dos 120 por cento do produto, não tem perspectivas de crescimento, tem um desemprego crescente, o que acha que os nossos credores pensam sobre a nossa forma de pagar a divida", acrescentou.

O economista diz mesmo que o problema é que em Portugal tem havido, em particular nos últimos "cinco anos, total desvario na condução dos destinos dos portugueses".





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