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Schäuble rejeita a concessão de uma licença bancária ao futuro MEE para financiar países mais vulneráveis financeiramente.
"O novo mecanismo não dispõe de uma tal licença, e não vemos necessidade de a ter", disse em Berlim um porta-voz do ministro Wolfgang Schäuble, comentando assim notícias de que sobretudo a França e a Itália avançaram com esta iniciativa, para que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) tenha um capital praticamente ilimitado.
Berlim também não está a negociar com os parceiros da zona euro qualquer solução deste tipo, garantiu a mesma fonte.
O jornal alemão Sueddetusche Zeitung revelou que vários países da zona euro querem que o futuro MEE possa contrair ilimitadamente empréstimos junto do Banco Central Europeu (BCE), para resgatar países em dificuldades, como sucedeu já com a Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha.
Entre os defensores da proposta contam-se a França e a Itália, segunda e terceira maiores economias da moeda única, respetivamente, e alguns governadores do BCE, incluindo o presidente Mario Draghi, referiu o matutino de Munique, citando fontes diplomáticas em Bruxelas.
O governo de Angela Merkel e o banco central alemão (Bundesbank), no entanto, opõe-se a esta proposta, avançou também o Sueddeutsche Zeitung.
O plano corresponderia a dotar o MEE com uma licença bancária para poder contrair empréstimos junto do BCE e comprar dívida pública dos Estados do euro, o que Berlim considera uma violação da independência do banco sedeado em Frankfurt e um risco para a estabilidade monetária na zona euro.
Os tratados europeus proíbem o BCE de financiar diretamente Estados, o que aconteceria de forma indireta, se a proposta revelada pelo jornal da Baviera fosse aprovada.
Com este sistema, o MEE poderia comprar dívida pública de países da moeda única e depositá-la no BCE para obter novos empréstimos, ficando assim com uma dotação praticamente ilimitada, em lugar dos 700 mil milhões de euros de capital atualmente previstos para este novo fundo de resgate, que será permanente e deverá entrar em vigor ainda este ano.
Nos últimos dias, aumentou a pressão sobre Berlim para aceitar a compra de dívida pública da Espanha ou da Itália pelo BCE.
O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou ao Sueddeutsche Zeitung, na segunda-feira, que a zona euro "não tem tempo a perder, e tem de mostrar agora a sua determinação por todos os meios disponíveis" para garantir a estabilidade da moeda única.
Mario Draghi afirmou na quinta-feira, em Londres, que o BCE fará o que for necessário para proteger o euro, o que chegou para fazer regressar o otimismo aos mercados financeiros, refletindo-se nas bolsas de valores.
A chanceler Angela Merkel, o presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro italiano Mario Monti secundaram, pouco depois, as declarações do banqueiro italiano, sem adiantar, no entanto, as medidas a tomar para estancar a crise de forma mais eficaz.
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