Economico logo
Nova tecnologia exclusiva para utilizadores registados
Estudo

Alemanha poupa 13 mil milhões com crise do euro

Luís Leitão e Luís Rego  
06/12/11 08:22


Enquanto os periféricos debatem-se com uma subida do custo do financiamento, a Alemanha tem poupado uma fortuna com a crise.

A crise do euro desencadeou uma autêntica transferência de riqueza entre os países da moeda única. Não a famosa "união de transferências" dos mais ricos para os mais pobres, que a Alemanha abomina, mas exactamente o oposto.

Beneficiando da migração em massa do capital dos investidores para paragens mais seguras, os países mais ricos da zona euro têm poupado somas milionárias com a crise do euro. É o caso da Alemanha e da Holanda que têm usufruído de condições de financiamento muito mais favoráveis, face aos valores que os investidores exigiam em 2008 e 2009 para emprestarem dinheiro aos dois países.

De acordo com cálculos do Diário Económico, as 136 emissões de dívida da Alemanha realizadas entre 2010 e 2011 já permitiram ao Tesouro alemão poupar 1.587 milhões de euros nos últimos dois anos e assumir uma poupança de 11.451 milhões de euros até 2041, em resultado de uma correcção de quase 40% do custo médio de financiamento da Alemanha nos mercados desde 2009. Isto significa que a crise da dívida soberana já permitiu a Berlim acumular uma poupança média de 13.038 milhões de euros, o equivalente a 159 euros por cada alemão ou 0,52% do PIB do país.

Os ganhos que Berlim tem retirado desta crise são de tal forma significativos que, no mês passado, por duas ocasiões, o Tesouro alemão realizou duas emissões de dívida que prometem ser lendárias: a primeira foi realizada a 7 de Novembro, com a Alemanha a emitir 3.834 milhões de euros a seis meses com um preço médio de 0,08%; e dois dias depois, a 9 de Novembro, com o Berlim a emitir 1.525 milhões de euros em obrigações a sete anos a um preço médio de -0,4%. Se na primeira emissão, de dívida de curto prazo, os investidores se predispuseram a emprestar dinheiro à Alemanha a troco de "quase nada" e até incorrendo numa perda real significativa, na segunda emissão realizaram um investimento que, garantidamente, gerará perdas anuais médias de 0,4% caso os títulos sejam levados até à maturidade.

Contas semelhantes feitas pelo Ministério de Finanças holandês, para os últimos três anos de crise, incluindo 2009, indicam que os Países Baixos acumularam uma poupança de 7.400 milhões de euros com as emissões de dívida soberana realizadas neste período, em relação ao que pagou nas emissões de 2008 com características semelhantes.

Europa a duas velocidades

A viver numa realidade bem diferente da Alemanha e da Holanda têm estado os países do sul da Europa: além de não terem parado de assistir a uma escalada explosiva e constante da ‘yield' das suas obrigações soberanas, Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha contabilizam, até ao momento, um agravamento acumulado de 36.855 milhões de euros na factura de financiamento externo junto do mercado obrigacionista, face aos valores que pagaram em 2009 em emissões semelhantes.

A disparidade desta duas realidades permite entender a hesitação dos países mais ricos em aumentar o fundo de resgate, em travar o contágio, em flexibilizar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ou a dar gás à máquina de fazer euros que o Banco Central Europeu (BCE) guarda em Frankfurt. Na prática, os países ricos não têm incentivos imediatos para travarem a crise e, por vezes, os seus políticos vêem na caricatura dos países do sul um importante trunfo eleitoral.

Por outro lado, a Alemanha nunca aceitou que os mercados tenham adormecido desde a criação do euro, com diferenciais de risco mínimos entre a Roma e Berlim, e estão a apreciar os efeitos que estão a produzir nos países do sul. Hans-Werner Sinn, director do ‘think-thank' IFO e um dos sábios alemães ouvidos por Angela Merkel, disse numa entrevista ao Diário Económico que "a Itália nunca teria aprovado um programa de austeridade se houvesse ‘eurobonds'" pois "as taxas de juro são o único instrumento disciplinar que temos".

Os mercados estão assim a conseguir fazer no sul da Europa aquilo que a Alemanha sempre quis e o Pacto de Estabilidade nunca conseguiu. No entanto, a maré pode estar a mudar, na medida que a crise se aproxima cada vez mais de Berlim. O primeiro sinal ocorreu a 23 de Novembro, com o Tesouro alemão a emitir apenas 60% das obrigações a dez anos que pretendia num leilão de dívida. A chanceler alemã reconheceu pela primeira vez o exagero dos mercados: " [desde a criação do euro] subestimaram completamente as diferenças de competitividade na zona euro e agora estão a sobrestimar completamente os riscos e as divergências". Seja pela emissão falhada, ou pelo risco efectivo de queda da Itália e Espanha, pode estar a chegar ao fim o tempo da pedagogia, a chegar o tempo de salvar os investimentos. Afinal, a Alemanha já empenhou mais de 30 mil milhões de euros em todos os "resgates" do euro.





Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".

Publicidade

Collapse

Bolsa

Close
-
PSI 20
-
FTSE 100
-
DAX 30
-
CAC 40
-
SMI
-
AEX 25
-
IBEX 35
-
DOW JONES
-
NASDAQ
-
BOVESPA

Acções do PSI 20

-
-
ALTRI
-
-
JERON. M.
-
-
BPI
-
-
BANIF
-
-
MOTA EN.
-
-
ESFG
-
-
PORTUC.
-
-
BCP
-
-
PT TELEC.
-
-
BES
-
-
COFINA
-
-
REN
-
-
SEMAPA
-
-
SONAE IN.
-
-
EDP EN.
-
-
SONAE
-
-
EDP REN.
-
-
SONAECOM
-
-
GALP
-
-
ZON
Feed com delay de 15 minutos

Divisas


 
 
A tecnologia que muda a internet.
MyTable
Collapse

Económico Digital

Close
Económico Investidor