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Crise

Alegre diz que austeridade corta também a esperança

Económico com Lusa  
22/06/12 13:51


O ex-candidato presidencial Manuel Alegre afirmou hoje em Fátima que a política de austeridade "não corta apenas subsídios".

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre afirmou hoje em Fátima que a política de austeridade "não corta apenas subsídios", mas a "esperança" às pessoas.

À margem da 8.ª Jornada da Pastoral da Cultura, promovida pela Igreja Católica em Fátima, o poeta Manuel Alegre considerou que as pessoas estão "crispadas" e a atravessar uma "grande dificuldade", dizendo que "aquilo que se faz hoje é uma política de austeridade e a austeridade provoca recessão".

Para Manuel Alegre, "não se cortam só subsídios e salários, cortam-se a esperança, o sonho e o direito a ter uma perspetiva para o futuro", o que é "uma grande responsabilidade quer para os da Igreja quer para os que não são da Igreja".

Partilhando esta responsabilidade por todos, o ex-candidato à Presidência da República salientou a urgência em "encontrar as palavras necessárias para dar esperança e mudar a sociedade tal como ela está".

Manuel Alegre admite que parte da responsabilidade é dos políticos e "daqueles que mandam na política". Mas, segundo o poeta, "hoje há um poder financeiro, que é o poder dos especuladores e dos mercados, que dominam a política e os governos".

Referindo-se ao concílio do papa João XXIII, Manuel Alegre afirmou que os jovens não têm consciência da sua importância, mas enaltece o que se passou. "Nessa altura, os horizontes estavam abertos e havia esperança. Hoje, os horizontes estão tapados e não temos solução, nem inspiração. São precisas palavras de alegria", disse.

O poeta defendeu ainda o "diálogo de homens e mulheres de boa vontade e diferentes inspirações para dar uma reviravolta cultural". Considerando que se atravessa uma "crise de civilização", Manuel Alegre alertou que "há mais números para além da economia" e "uma outra dimensão da vida".

Além disso, referiu, não é possível "suportar viver num mundo onde muito poucos estão a ganhar à custa da pobreza e até da destruição da soberania dos países", o que diz ser um "atentado à dignidade humana".

 





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