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Ajudas do Estado são menos atractivas para as PME

Mónica Silvares  
27/08/10 00:05

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Linha de crédito PME Investe VI só está utilizada a 38%. Condições mais duras de acesso ajudam a explicar porquê.

São 280 os quartos de hotel que vão nascer em Damasco pela mão da cadeia hoteleira de luxo Kempinski. O projecto está avaliado em 60 milhões de dólares e é uma empresa portuguesa, a Promontório, que está responsável pela arquitectura de interiores deste hotel, que vai concorrer com o Four Seasons que existe na capital síria. "Este é um dos resultados dos nossos esforços de internacionalização e para a qual recorremos às linhas de crédito PME Investe", conta ao Diário Económico, Paulo Martins Barata. A empresa que vai embolsar 2,5 milhões de dólares com este projecto, também está a trabalhar no edifício que receberá as delegações dos países participantes nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Sóchi, na Rússia, em 2014.

Este é apenas um exemplo de uma média empresa, actualmente com 40 trabalhadores, que optou por recorrer às linhas de crédito para tentar contornar a crise. Mas, são já mais de oito mil as empresas que vão receber financiamento da linha PME Investe VI, lançada em Junho. Até 15 de Agosto, estão já aprovadas 8.335 operações que ascendem a 478,74 milhões de euros, revelam os números do IAPMEI, a que o Diário Económico teve acesso.

Assim, a mais recente linha de crédito está com uma utilização de 38%, um valor que fica aquém do desempenho de anteriores linhas que chegaram a esgotar num mês. Um sinal dos tempos de crise que se vive e que levou ao encerramento de 12 mil empresas nos últimos dois anos, de acordo com o Ministério da Justiça.

"Em geral, temos vindo a assistir a um recuo no crédito concedido às empresas, porque estas têm exibido sinais de menor confiança", explica Filipe Garcia. O economista da IMF sublinha que as linhas de crédito não são excepção a este fenómeno. Mas há outras razões: "O início da regularização dos problemas de tesouraria que afectou muitas empresas em 2008 e 2009, mas também o facto de os bancos já não estarem a transferir créditos de maior risco, que tinham em carteira, para as linhas PME Investe que beneficiam da garantia do Estado", acrescenta Filipe Garcia, ressalvando que esta última prática nunca foi totalmente admitida pelos bancos.

 





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