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Fernando Gabriel

Ainda Orwell

25/11/09 00:01 | Fernando Gabriel 



Um conhecido aforismo de George Orwell resume a ambição subjacente à política das alterações climáticas: quem controla o passado, controla o futuro e quem controla o presente, controla o passado.

Os defensores da tese da actividade humana como a causa do aquecimento global controlam o presente da discussão política e pretendem controlar o futuro político da humanidade. O que não se sabia era até onde estavam dispostos a ir na tentativa de controlar o passado. Na última semana ficámos a saber, depois de ‘hackers' terem retirado cerca de 1000 e-mails e 3000 documentos das bases da Climate Research Unit (CRU) da universidade de East Anglia. O director do CRU coordena o HadCrut, uma unidade conjunta com o Hadley Centre for Climate Prediction and Research, que é uma das quarto fontes de dados do IPCC.

Os documentos extraídos do CRU mostram de forma transparente a existência de manipulações dos dados de temperatura, de forma a ocultar variações "inconvenientes" à tese do aquecimento global. Mostram também que há uma campanha deliberada de limitação do livre inquérito científico nesta matéria, através de ataques à reputação de cientistas com posições contrárias, do boicote à publicação de artigos e da viciação do processo de peer review. Em suma, o que transparece destes documentos é o desprezo de cientistas com um papel crucial no IPCC por princípios éticos básicos e pela honestidade intelectual, subordinando a investigação à obtenção de resultados que promovam uma causa política.

Só surpreende a ingenuidade, ou impunidade, com que estas manobras são discutidas por alguns dos intervenientes: o resto não. Nos últimos anos, pelo menos dois pedidos de cedência de dados ao abrigo da lei de liberdade de informação foram recusados pelo HadCrut, o último dos quais com a inusitada justificação que a divulgação dos dados podia "causar danos às relações internacionais". Pela primeira vez, registos de temperatura ascenderam à categoria de segredo de Estado. O CRU fez tudo para evitar a divulgação dos dados e chegou mesmo a declarar que parte das séries tinha sido "perdida". Agora compreendem-se melhor os motivos do pânico.

Num editorial invulgarmente desonesto, o Financial Times tenta limitar os estragos e atribui aos que exigem mais transparência na investigação delírios de uma "vasta conspiração". Não é -vasta. A peça central da política do aquecimento global é o relatório do IPCC de 2007, em particular o capítulo 9, apresentado como o "consenso de 2500 cientistas". Sucede que o capítulo crucial tem apenas 53 autores. Desses, 38% são ingleses e um quinto do total são cientistas do CRU. Dos artigos científicos aí citados, 70% têm como co-autores os 53 cientistas envolvidos: vasta conspiração ou uma rede social com grandes afinidades intelectuais e ideológicas?

O potencial de descrédito para a investigação científica é o resultado da tentativa de utilização do ambientalismo para concretizar uma velha obsessão progressista: a instauração de um governo mundial, assessorado por "peritos" capazes de controlar o futuro e prevenir todos os males. Na cabeça dos crentes, a grandeza do propósito justifica os meios. Orwell sabia do que falava.
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Fernando Gabriel, Investigador universitário


Comentários

AT, Lisboa | 25/11/09 09:11
Seria desejável que o Sr. Fernando Gabriel explicasse o o que investigar. Climatologia não é concerteza pois a ignorância revelada é abissal. Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?


anónimo, | 25/11/09 10:28
Nada de novo, Caro Gabriel

Basta pensar na enormidade da interacção entre a Terra e o Sol e nesse contexto relativizar a dimensão da actividade antropogénica, para ficarmos inteiramente esclarecidos sobre a idiotice que é, pensar que a actividade normal do homem faz mudar o clima do planeta.
Uma pretensa elite pretende impôr uma ideia força ùtilizando as massas ignaras.
Não podemos falar muito nisto, pois podemos correr riscos.

cumps


alf, Lisboa | 28/11/09 00:33
Em 1998 começou a ser claro que as temperaturas da Terra iriam começar a descer; foi então introduzida um alteração nos modelos climáticos à custa das circulações oceânicas que poderia justificar um período de arrefecimento máximo de 10 anos. Sabe-se portanto, desde essa altura, que em 2009 / 2010 a teoria iria estoirar porque as temperaturas estão em arrefecimento crescente e tudo indica que assim continuarão pelo menos por mais 30 anos. Estamos portanto na altura em que a teoria tem de estoirar e culpados têm de ser apresentados à opinião publica. Cá para mim, não foi nenhum hacker, são uns dos intervenientes no processo a arranjar culpados antes que lhes calhe a eles.


Daniel, Pbl | 30/11/09 15:33
Bem, parece que, segundo alf, afinal estamos perante um arrefecimento e não a braços com um aquecimento global da terra... então?! não estaremos a seguir o rumo contrário ao ideal? em vez de fazermos conferências para diminuir a emissões de GEE e decretar outras excentricidades ambientais, deveríamos era concordar em aumentar tais emissões e outras actividades antropogénicas, aparentemente nocivas para o ambiente, a fim de estabilizar as temperaturas e equilibrar os ecossistemas. Ora aí está uma boa maneira do homem, com as suas mais banais acções apoiadas no crescimento apelidado de não sustentável, contribuir para a preservação dos ecossistemas (o do homem incluído). obrigado alf, não sabia de nada disso, haja alguém que nos diga a verdade.


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