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João Queiroz tem 19 anos de experiência no sector financeiro e actualmente é o director de Negociação da GoBulling, do Banco Carregosa.
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Quando a flexibilidade se torna num dos principais pilares de um portefólio, os resultados só podem ser positivos.
João Queiroz não teve a sorte de principiante na sua primeira aventura em bolsa. O director de negociação da Go Bulling confessa que o seu primeiro investimento ficou longe das suas expectativas, gerando mesmo alguns prejuízos na carteira. Mas, desde então, o experiente gestor que conta com 19 anos de vivência no sector financeiro, nunca mais descurou os "trabalhos de casa" antes de tomar qualquer decisão de investimento. Actualmente, Queiroz revela-se cauteloso na gestão do seu dinheiro, com o seu perfil de risco a alterar-se consoante o "grau de certeza/incerteza sobre os eventos que dominam os mercados."
Há quanto tempo investe em bolsa e qual foi a primeira empresa da qual se tornou accionista?
Foi há quase 25 anos que fiz o primeiro investimento em bolsa, em finais da década de 1980 numa acção representativa da Lisnave com um aforro do meu pai. Como não correu de acordo com as expectativas resultou logo na primeira lição aplicável às acções, obrigações e concessão de crédito: conhecimento adequado do risco de exposição analisando as contas patrimoniais e de exploração da empresa, o modelo de negócio representativo da acção, quem integra os órgãos de gestão, principais clientes e as suas vantagens e ameaças.
Recorda-se de quanto esse investimento lhe deu a ganhar?
O primeiro investimento deu um resultado negativo daí aprendendo a lição número dois aplicável a qualquer tipo ou perfil de investimento: uma carteira não tem de depender inteiramente da evolução do ciclo económico, de fenómenos sociais ou geopolíticos. Assim, adoptar uma maior ou menor correlação com o mercado de acções pode e deve ser uma opção relevante para uma decisão de investimento.
E do pior investimento, guarda alguma recordação ou preferiu apagar da memória?
Do primeiro colhi bastantes ensinamentos, entre eles destaco o facto de que não se devem manter perdas potenciais e muito menos arrastá-las sem prazo ou limite porque, em média, reduz-se a iniciativa e a perda potencial passa a gerir o investidor, quando é precisamente o contrário do que deve acontecer.
Considera-se um investidor agressivo ou mais avesso ao risco?
Depende muito do grau de certeza/incerteza sobre os eventos que dominam os mercados, e alterno entre a maior complacência perante o risco, podendo recorrer a um activo de risco extremo e elevada alavancagem, com a quase total aversão limitando-me a estar investido num depósito à ordem num banco com ‘tier 1' acima dos 30%, sem a menor preocupação por rendimento. Basicamente, adopto o instinto humano perante os mercados.
Qual é o instrumento financeiro a que recorre com maior frequência para gerir as suas poupanças?
A maioria das vezes através de acções e seus derivados, participando em histórias de crescimento de vendas e de margem de receitas, ou delegando a competentes equipas de gestão de ETF, fundos, PPR, que se destacam na captura de retorno em economias que operam quando estou em descanso ou lazer.
Qual foi o último investimento que realizou?
Apesar de ter já algum tempo foi o de assumir exposição a mercados com expressiva demografia, economia com baixa alavancagem e num estádio de alteração do padrão de consumo. Desde que a taxa de crescimento demográfico passou a ser maior que a produção agrícola, a exposição a mercadorias, sobretudo as que compõem a cadeia alimentar, pareceu-me uma história com maior racional.
Os seus amigos e familiares costumam pedir-lhe "dicas" de investimento? Costuma retribuir?
Apesar de ser um tema que gosto de debater e de estimular a interacção e socialização, muitas vezes a sua dinâmica é comparável ao do desporto, religião ou política: cada um com o seu perfil de risco e os mercados financeiros com o de todos. Só se muito justificado é que revelo o risco em que me encontro exposto ou as oportunidades que aparentam surgir.
Qual foi a lição mais importante que tirou dos mercados durante toda a sua experiência?
Que um dos primados da economia cedo ou tarde se aplica: "todos os recursos são escassos". Deter o máximo de informação e um sólido plano alternativo ajuda bastante a minorar a probabilidade de erro e a componente subjectiva, por um prisma, e a maximizar a hipótese de se atingirem muitos e sustentáveis resultados, por outro.
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