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Hoje, às 11 horas, Cavaco Silva vai reunir com nove ex-ministros das Finanças para debater, entre outros temas, o adiamento das grandes obras públicas.
Contudo, o encontro já chega tarde: Sócrates antecipou-se e esvaziou o assunto. É que ao fim de uma semana e meia de pressões sobre o Governo, as obras públicas já estão todas a ser reavaliadas.
Apesar da antecipação do primeiro-ministro, Medina Carreira recusa que o encontro tenha ficado esvaziado. "A situação continua difícil", justifica, explicando que a reunião tem como objectivo "dar um sinal da preocupação com o país". Além disso, serão debatidos muitos outros temas: "A economia, a despesa pública, os impostos, o défice, o endividamento do Estado", enumera o ex-ministro das Finanças, esclarecendo que não existe uma ordem de trabalhos e que será Cavaco Silva a conduzir o debate.
Os argumentos dos nove ex-ministros sobre as obras públicas e sobre a necessidade de cortar na despesa já não são novos. Nenhum concorda com o plano de grandes investimentos Governo e todos defendem cortes adicionais na despesa. O fiscalista Medina Carreira reconhece até que "um dos reparos" que, de certeza, iria resultar da reunião seria a necessidade de reforçar o esforço de redução do défice no início do período de vigência do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Mas também aqui o anúncio de Sócrates, que colocou a meta de redução nos 7,3% em vez de 8,3%, chegou mais cedo.
Em matéria de obras públicas, estão em causa a ligação de alta-velocidade de Lisboa a Madrid, a terceira travessia sobre o Tejo e o novo Aeroporto de Alcochete. "Sobretudo nas presentes circunstâncias, adiaria todas as grandes obras", garante Medina Carreira, questionado sobre o que faria se estivesse sentado no lugar de Teixeira dos Santos. O ministro das Finanças foi o primeiro membro do Governo a admitir reavaliar todas as obras que não estão ainda adjudicadas, mas entretanto também Sócrates deu um passo atrás.
Para Medina Carreira, não havia razões para tantas dúvidas e para tanta reavaliação. "Os juros estão cada vez mais altos, o ‘rating' da República cada vez mais baixo e precisamos de um Governo que tome medidas", explica, garantindo que o PEC tal como foi apresentado "não chega", já que será preciso reduzir a despesa pública em cerca de "sete mil milhões de euros", segundo as suas contas.
A suspensão dos projectos também vai ao encontro da posição de Joaquim Pina Moura: "Dada a enorme alteração e degradação das condições financeiras globais, verificadas nas duas últimas semanas, o que defenderia era uma moratória, adiando as decisões a tomar relativamente ao TGV e ao novo aeroporto", diz o ex-ministro das Finanças de Guterres.
Para Bagão Félix, a questão é mais complexa. Por um lado, o ex-governante não teria dúvidas em suspender o TGV e a terceira travessia sobre o Tejo, independentemente da pré-adjudicação - ou seja, não chegaria a assinar o contrato este fim-de-semana, como acabou por acontecer. Mas por outro, não se colocaria a questão de adiar o novo aeroporto, já que "optaria por outro modelo, que seria Portela mais um, mas já teria tomado essa decisão há mais anos e não agora", garante.
Já Eduardo Catroga, coloca em causa todas as novas parcerias publico-privadas. Esta forma de financiamento dos investimentos, "a somar aos encargos financeiros [que já existem] dão um modelo suicida e isso obriga a redefinir prioridades", explica o ex-ministro de Cavaco Silva.
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