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Falta de reforço de médicos e enfermeiros levou a que os utentes esperassem quase 12 horas para ser atendidos.
Situação insustentável, caos e condições desumanas. É assim que os utentes do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, descrevem a situação vivida durante a noite de sábado naquele centro hospitalar. O disparar de casos de Gripe A em Guimarães levou às urgências do hospital uma enorme afluência de pessoas que suspeitavam ter contraído o vírus H1N1, o que provocou um aumento substancial no tempo de espera para atendimento dos doentes. Houve quem tivesse que esperar cerca de 12 horas para ser atendido.
De acordo com as descrições feitas por vários doentes à Lusa, as pessoas suspeitas de estarem com Gripe A foram "encafuadas" numa sala com pouco mais de "uma dúzia de metros quadrados", em convívio com dois caixotes "cheios de lixo hospitalar". E a maior parte delas esteve mais de seis horas sem conseguir dar o nome para ser chamada.
Os doentes queixam-se ainda de os funcionários, nas raras vezes em que apareciam na sala, terem examinado os doentes à frente uns dos outros, independentemente de estarem homens e mulheres presentes na sala ao mesmo tempo. Um dos utentes lembra ainda que houve uma pessoa que se sentiu agoniada e que os funcionários "deram-lhe um balde para vomitar à frente de toda a gente", em plena sala de espera.
Hospital reconhece falta de profissionais
O director clínico do Hospital de Guimarães, Dias dos Santos, reconheceu ontem que o disparar de casos de Gripe A nas últimas semanas "tornou a situação insustentável". Dias dos Santos disse compreender que "as pessoas se sintam injustiçadas e percam a paciência", porque "ninguém gosta de estar à espera de ser atendido durante cinco ou seis horas consecutivas".
O director clínico explica que a situação se deve a uma alteração repentina na afluência ao Hospital, que passou a ser de "cerca de 300 utentes por dia para cerca de 500 e mais pacientes", o que "torna humanamente impossível a prestação de um serviço célere e com alguma qualidade", devido ao "reduzido número de profissionais disponíveis".
No final de Setembro, com os casos de Gripe A a aumentar, o Ministério da Saúde disse que "para já, não faz qualquer sentido equacionar reforços de médicos e enfermeiros. Quando for real o maior impacto [da Gripe A], essas medidas serão tomadas". O Ministério da Saúde esteve ontem indisponível para responder a perguntas.
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