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João Marques de Almeida

A vitória de Durão Barroso

21/09/09 00:09 | João Marques de Almeida 



Não há maior justiça do que contar a verdade. Julgo que em Portugal, a grande maioria das pessoas não faz ideia da dimensão do feito que Durão Barroso acabou de alcançar.

Antes de mais, enfrentou durante os últimos cinco anos uma resistência de muitos sectores europeus simplesmente por ser português. Essa oposição acentuou-se à medida que um segundo mandato se tornava uma possibilidade real. Para muitos na Europa, um português igualar o feito de um alemão, Walter Hallstein, e de um francês, Jacques Delors, os únicos até hoje com dois mandatos à frente da Comissão Europeia (contudo, convém notar, não foram votados pelo Parlamento Europeu), seria simplesmente inaceitável. A Cimeira dos Açores e as acusações de "neo-liberalismo" foram, acima de tudo, pretextos para impedir que um antigo PM português se elevasse ao topo onde apenas deveriam estar os "Pais" da "Europa". O facto de Durão Barroso ter resistido a isto é extraordinário.

Os seus adversários prosseguiram dois objectivos. Impedir um segundo mandato ou, não o conseguindo, reconduzi-lo com uma pequena maioria. Para isso, usaram a mais cobarde das tácticas: não apresentaram outro candidato, construindo tipos-ideais de acordo com as preferências de cada um. Durão Barroso derrotou-os.

O adiamento da nomeação jurídica em Junho permitiu que os grupos políticos vencidos nas eleições europeias conseguissem adiar a votação para Setembro. A partir daqui, Durão Barroso foi um político só. Foram todos de férias, e ele trabalhou e preparou-se. Apresentou um documento de "Orientações Políticas", ganhando com isso mais apoios. Discutiu-o com todos os grupos políticos do Parlamento Europeu, onde mostrou uma fibra e uma dimensão de líder político, desconhecidas para muitos, ganhando assim o respeito de muitos, incluindo de alguns dos seus adversários políticos. Chegou ao Plenário, na véspera da votação, e com um discurso cheio de convicção, conquistou os votos necessários para uma maioria absoluta, cenário em que quase ninguém acreditava. O apoio do Conselho e do PPE, o trabalho da Comissão, foram importantes, mas chegariam apenas para uma maioria simples. A diferença para a maioria absoluta deve-se inteiramente a Durão Barroso.

Hoje, o Presidente da Comissão goza de uma posição política muito favorável. Adquiriu uma legitimidade democrática sem precedentes entre os seus antecessores. Além disso, os fundamentos de um programa para os próximos cinco anos foram aprovados pelo Conselho e pelo Parlamento, aumentando assim a sua força política. Haverá muitas dificuldades pela frente, mas seria impossível antecipar este cenário tão positivo até há duas semanas atrás. Quando um dia se perceber devidamente a dimensão do que Durão Barroso alcançou nas últimas semanas, os portugueses terão razões para se sentirem orgulhosos.
____

João Marques de Almeida, Professor universitário

 




Comentários (17)

adélia santos, Portugal | 28/09/09 18:42
Se houvesse mais coerência, no nosso País... talvez se falasse menos e se agisse mais.
Durão Barroso está lá, por mérito próprio ... está a representar, e bem, o nosso país?
0rgulhemo-nos dele e do seu trabalho.
Quando, os seu inimigos o reconhecem e dão valor ao seu trabalho e à sua inteligência... orgulho, para nós!
Deixemo-nos de ser mesquinhos e pisar quem é ALGUÉM. O PORTUGUÊS NUNCA SOUBE O QUE QUER.... foi sempre assim!!!
Tanto mal nos tem feito o Sócrates.
... Tanto tem roubado... mentido e...agora , meus portuguesinhos que tanto nome lhe chamaram? que fizeram ? Escolheram-no novamente
Haja consciência é não pensem só na ganância.
ASSIM NUNCA CHEGAREMOS A LADO NENHUM!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Apoiante, | 21/09/09 18:01
Durão Barroso é o maior. A vocês, resta-vos rastejar a vossa vida inglória, sem poder de compra. Invejosos!


Zé Cardoso, | 21/09/09 15:43
Do que eu jamais me vou esquecer é do dia em que ele abandonou o país, depois de o ter posto e deixado de tanga à procura de melhor "tacho". Todavia, ele não deixa de ser um autêntico pau mandado, sempre obediente aos verdadeiros mandantes da UE, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, etc. Nem eles lá querem outro, essa é que é essa!


F.Saldanha, cascais | 21/09/09 15:10
É sim senhor.Esta paróquia que é Portugal não é mais do que um verdadeiro alguidar de lacraus.Quando um deles consegue fugir , deixa este odioso lugar e vai para exterior onde felizmente pode vencer na vida e nunca mais cá voltar , como é evidente.Este local foi sempre assim e sempre será.Desde os milénios que quem tinha e tem dois dedos de testa na cabeça chega a uma altura da vida que já não pode aturar esta paróquia e vai-se embora.Desde os milénios , quem é que cá fica?Os que gostam de sol e vinho.Por isso é que este país não passará nunca de uma paróquia dentro de um alguidar de lacraus.


pedro, | 21/09/09 09:11
Durão Barroso devia mas era ter vergonha naquela cara e ver a porcaria que fez enquanto foi primeiro ministro. Daí que estamos a pagar uma factura bem pesada.


schieder da silva, munique | 21/09/09 08:59
Para quem se lembra do falecido presidente palestiniano YASSER ARAFAT que governou a palestina a ferro e fogo ,tambem disse uma vez ,estou à tanto tempo no governo porque faco a vontade do povo .Assim è BARROSO faz a vontade dos que lhe pagam o ordenado


vg, | 21/09/09 00:41
Não posso estar mais de acordo.Simplesmente Barroso vem de um país onde a mesquinhez e a inveja campeiam.Neste caso e marcadamente da chamada "esquerda".Barroso não vai dirigir a orientação politica para a Europa ,mas vai procurar compromissos e consensos, que correspondam à vontade dos fortes e à participação dos pequenos.Ainda não há eleições directas dos europeus para estes altos cargos e daí a dependencia dos que têm legitidade democrática


jpg, V.N. de Gaia | 21/09/09 00:17
Bla, bla, bla, do "speechwriter" de Durão Barroso... O tal que vive à sombra da alfarrobeira (30 mil Euros limpos por mês) enquanto este Portugal socrático se afunda na pobreza, na manipulação iberista e no medo.


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