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A candidatura à liderança do PSD valorizou, como esperado, a dimensão extra-partidária em detrimento da dimensão intra-partidária.
A conjuntura projectou a competição para a esfera das alternativas ao governo do país, ou seja para a afirmação de um futuro primeiro-ministro. Isto solicitava, entre outros requisitos, um forte sentido de conquista de poder e de afirmação individual; um trabalho sólido e coerente na oferta de visões e de soluções diferentes para a acção política; a incorporação de saberes talhados pelo rigor técnico, recolhidos também fora do tradicional círculo partidocrático. Os resultados da sondagem demonstram que o caminho traçado por Passos Coelho ganha maior aceitação junto do eleitorado do que o dos restantes candidatos e começa a induzir nos eleitores uma expectativa de credibilidade e de capacidade para vir a liderar um novo governo.
Mas, tal como no passado, o principal problema do PSD não tem ocorrido nos momentos da disputa pela liderança. Os verdadeiros problemas, pelo menos os dos últimos quinze anos, têm começado no período pós-eleitoral. É que os resultados da sondagem também dizem que a verdadeira competição começa depois do dia 26. A expectativa de chegada ao poder pode ajudar a cimentar a necessária coesão do partido. Mas a chegada ao poder exige muito mais. Para já os eleitores reconhecem capacidade a Passos Coelho para ser primeiro-ministro, mas esses mesmos eleitores vão-lhe exigir muito mais.
Manuel Meirinho
Politólogo
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