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Os mercados não pensam, não sentem, não se enervam, não se amedrontam, não perdem as estribeiras. Mas, a partir do momento em que obrigam Espanha a suportar juros recorde para se financiar, mostram-se capazes das maiores torturas.
Os resultados das emissões de dívida do país vizinho são a prova disso: na primeira colocação após o pedido de resgate para a banca, o Tesouro espanhol pagou mais de 5% para se financiar a 12 meses - um valor acima do cobrado a Portugal já este ano. A vitória do ‘sim' ao euro nas eleições gregas devia ter apaziguado as angústias de gregos, líderes europeus e investidores. Garantiu isso aos primeiros (embora ainda falte um governo de consenso para convencer a Europa) e aos segundos (apesar das reservas sobre a capacidade dos gregos em cumprir os compromissos e o futuro do euro). Já os investidores, apesar dos paliativos gregos, continuam a apontar baterias a Espanha a testar a resistência da sua economia - mas, a avaliar pelas estimativas dos analistas, ela já não será muita. Há ainda muitas incógnitas sobre as condições em que a banca espanhola será resgatada, há medidas de ajustamento que Rajoy ainda terá de aplicar sem se saber o seu impacto, há emissões de dívida cuja perspectiva de juros recorde causa calafrios, há ameaças pendentes de corte de ‘rating' a Espanha. Há demasiadas dúvidas e riscos e ainda muitas provas para superar. E, segundo as contas de analistas do Rabobank, não há muito mais tempo: Espanha aguenta cinco meses sem pedir um resgate a sério, dizem. Nestas contas, entra uma variável histórica: os recentes casos de Grécia, Irlanda e Portugal conheceram exactamente os mesmos antecedentes antes de caírem no charco e pedirem assistência internacional. Por isso, ou Espanha revela rapidamente como pretende inverter o rumo da história ou vai acabar por cumpri-la como os portugueses ou os gregos.
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