O passado dia 20 de Maio ficará na história política recente como aquele em que o actual primeiro-ministro “gaguejou e ficou sem pio” num debate televisivo perante os pedidos de explicação feitos pelo líder da Oposição.
Ficou claro no debate entre José Sócrates e Passos Coelho o novo estilo do líder socialista: não responder às suas responsabilidades, não falar do que teria que fazer se fosse de novo Governo e limitar o seu discurso ao ataque e à maledicência sobre as propostas do PSD.
A nova táctica eleitoral do primeiro-ministro passou de prometer o que sabia não poder cumprir para o não falar sobre aquilo que sabe que vai ter que fazer, nomeadamente mexer na Taxa Social Única, como se comprometeu com a Comissão Europeia, o Banco Europeu e o FMI. Esta escolha pela omissão intencional no programa e no debate revela a forma pouco séria como o PS entrou nesta campanha que é directamente proporcional ao desespero de quem pressente uma significativa derrota eleitoral.
O programa socialista é simples de resumir: é um conjunto de generalidades, sem medidas concretas e que se limita a prosseguir a política desastrosa que trouxe Portugal e os portugueses à calamitosa situação em que nos encontramos.
A discussão em torno da Saúde, que o PS gosta muito de levantar, é paradigmática da diferença que vai entre o discurso e a realidade. A verdade é que, através do aumento da taxa moderadora, da malograda tentativa (evitada pelo PSD) de criar taxas de internamento e de cirurgia e pela infeliz diminuição da comparticipação nos medicamentos, o Governo socialista desvirtuou o que deviam ter sido medidas de racionalização do uso do Sistema Nacional de Saúde e transformou-as numa forma de financiamento encapotada a somar aos impostos que os portugueses já pagam. Também ao contrário do que o Governo afirma, o co-pagamento na Saúde já existe, por exemplo, nos casos em que, por ordem do SNS, o utente recorre a serviços ou clínicas privados para tratamentos e meios de diagnóstico complementares (radiografias, análises, fisioterapia, etc) em que o beneficiário paga parte dos serviços, apesar de não ser tido nem achado na escolha por se tratar de um acto de responsabilidade exclusiva médica. E não nos alongamos aqui no que acontece no Plano Nacional de Vacinas, em que vacinas que custam 6 euros ao Estado são vendidas aos utentes por 100 euros...
E a desorientação é tanta que o PS até já fala da "doutrina social da Igreja" quando nunca um Governo como o que agora está a ser avaliado mostrou tanta desconfiança e atacou tanto o sector social da Igreja. Um partido que tanto usa e abusa do laicismo e da separação do Estado vir agora invocar em sua defesa os conceitos e as práticas que sempre desprezou é, no mínimo, descaramento.
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Marco António Costa, Vice-presidente da Comissão Politica Nacional do PSD
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