O turismo nacional vai perder, nas próximas semanas, mais de 100 milhões de euros de receitas por causa das greves dos trabalhadores da NAV e da TAP, uma já desmarcada e outra que continua prevista.
São hotéis, são restaurantes, são museus, é a própria companhia aérea portuguesa, enfim, é um País que não está apenas sob intervenção da ‘troika', está também refém destas duas classes profissionais.
Os pilotos e os controladores aéreos têm, obviamente, direito à greve e a reclamarem os seus direitos, mas têm também a obrigação de usar respostas proporcionais às suas próprias reivindicações. E é isso que está em causa.
Senão, vejamos: O sindicato da NAV exigiam um reenquadramento da situação da empresa no quadro do Sector Empresarial do Estado, isto é, por palavras simples e directas, querem também ser uma excepção a juntar-se a outras excepções, nos cortes salariais. E, para isso, agendam uma greve, que iria bloquear o espaço aéreo português e não só os voos da TAP durante o mês de Julho. O sindicato dos pilotos vai mais longe, tem várias exigências, salariais, claro, mas também o afastamento de directores de operações de voo e de piloto-chefe, isto é, o sindicato quer substituir-se à administração na gestão da empresa. E, para isso, agenda greves para Julho e Agosto.
A simples comunicação de pré-avisos de greve é, aliás, tão grave como a própria greve. Neste sector, como é óbvio, qualquer cidadão ou empresa anula as suas viagens à mínima suspeita de paragem de aviões ou do funcionamento de um aeroporto. Por isso mesmo, a suspensão da greve da NAV não adianta (quase) nada, mostra, pelo contrário, que o Governo foi obrigado a ceder a uma chantagem e aceitou negociar sob pressão. Dirão os trabalhadores da NAV que este Governo nunca os tinha ouvido, mas seria necessário bloquear o País para serem recebidos pelo secretário de Estado dos Transportes ou pelo ministro da Economia?
O caso dos sindicatos dos pilotos é ainda mais grave. O SPAC é repetente nestas operações e vai ganhando, a cada greve, alguma coisa. Os pilotos sabem, além disso, que pode bloquear o turismo do País em pleno Verão e sabem também que este ruído é um problema quando o Governo está a montar a operação de privatização da companhia. E usam este poder de forma absolutamente descarada, sem cuidar de saber o que são as consequências dos seus actos. Ao ponto de exigir a substituição de quadros da empresa.
O Governo, hoje, já não tem nada a perder. Como no caso da NAV, a TAP está a perder todos os dias viagens já marcadas e, por isso, não deve simplesmente negociar ou sequer sentar-se à mesa das negociações com o sindicato. Deve avançar já para a requisição civil.
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