A dois meses das eleições intercalares nos EUA, as perspectivas não parecem ser as melhores para os Democratas.
Os mais recentes indicadores económicos são pouco auspiciosos, e o mesmo se aplica aos números das sondagens, não existem garantias de uma repetição do que aconteceu em 1994, nomeadamente a reeleição de Clinton.
As expectativas por parte dos Republicanos são grandes; um partido que não conseguirá afastar a sensação de que falhou, se os Democratas perderem mas se conseguirem, no entanto, manter uma maioria simples na Câmara dos Representantes e no Senado. E os Democratas interpretariam essa maioria simples como uma indicação de que devem prosseguir o trabalho levado a cabo até aqui.
A ver vamos. Actualmente, as atenções centram-se na probabilidade de os Democratas perderem o controlo, pelo menos na Câmara dos Representantes, sendo que a questão que aqui se levanta reside em saber como é que Barack Obama chegou a este ponto.
A principal razão é a economia. A recuperação tem sido lenta, tendo-se registado uma baixa do emprego pelo terceiro mês consecutivo. A taxa de desemprego voltou a situar-se nos 9,6%, confirmando assim o quadro de uma economia estagnada.
Aquando da aprovação do pacote de estímulo, a Casa Branca afirmou que o desemprego não aumentaria por aí além. Mais tarde falaria de "recuperação durante o Verão", uma espécie de prelúdio para as eleições intercalares. Estes erros nas previsões ajudariam a transferir a culpa pela recessão de Bush para Obama e a sua equipa.
A recessão será a grande culpada pelas previsões de maus resultados para os Democratas em Novembro. O partido tem defendido políticas impopulares e tem sido pouco eficaz a vender o seu peixe. No caso da energia, por exemplo, teve que abandonar muito do que defendia em termos de emissões e negociação de direitos de carbono. Mas conseguiram vencer a batalha dos cuidados de saúde. E alimentaram a esperança de que a opinião pública reconhecesse essa reforma ambiciosa. Mas é um facto que são muitos os americanos que se opõem a esta reforma da saúde.
E existem dois aspectos que merecem também a nossa atenção. Em primeiro lugar, a maioria dos comentadores vê a eleições intercalares como um referendo sobre Obama, o que está errado. As eleições são um referendo ao partido no poder - ou seja, a parceria do presidente com os Democratas no Congresso, liderados por Nancy Pelosi na Câmara dos Representantes e Harry Reid no Senado.
E é importante fazer esta distinção. Vendo bem as coisas, Obama não está assim tão mal quanto isso nas sondagens de opinião. Apesar do estado da economia, tem um grau de aceitação maior do que Bill Clinton ou Ronald Reagan em igual período dos seus mandatos.
Mas analisemos as sondagens e a pergunta sobre o partido em que votariam. O desempenho dos Democratas a este nível é terrível: uma sondagem recente da Gallup dava aos Republicanos a maior vantagem de sempre desde que esta empresa começou a fazer sondagens em 1942.
Esta sondagem pode ter várias leituras, mas a questão principal permanece. Apesar do estado da economia, Obama tem uma impopularidade relativa. E será a grande impopularidade da aliança Obama-Pelosi-Reid a contribuir provavelmente para o desastre dos Democratas em Novembro.
Tradução de Carlos Tomé Sousa
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Clive Crook, Colaborador do "Financial Times"
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It´s the economy Hussein..