A Comissão Europeia liderada por Durão Barroso apresenta hoje a nova estratégia económica. Os objectivos devem ser alcançados em 2020 e substituem os da defunta agenda de Lisboa.
E representam uma evolução na continuidade, em que a equipa de Barroso define cinco áreas prioritárias: emprego, investigação e desenvolvimento, clima, ensino superior e pobreza. Tal como na agenda de Lisboa, no papel nada a apontar. Parece tudo muito bem. O problema está na realidade que é bastante mais complicada. É bom não esquecer que a agenda de Lisboa foi muita conversa e pouca concretização. Um falhanço considerável.
Assim, agora também há motivos para estar pessimista, até porque mudou muito pouco. A principal razão do fracasso da agenda de Lisboa não está resolvida: deficiente coordenação da política económica europeia. A agenda de Lisboa era um conjunto de recomendações para os Estados-membro mas depois não havia forma de garantir o seu cumprimento. Esta lacuna continua por ultrapassar e é também responsável pela actual fragilidade da Grécia e consequentemente do euro. Os gregos aldrabaram as contas durante anos a fio e a verdade é que a Comissão não teve capacidade nem poderes para fazer nada. Parece os polícias que querem apanhar os ladrões usando apitos.
É por isso que o ‘timing' político de Durão Barroso é questionável. Apresentar objectivos económicos para 2020 numa altura em que ninguém consegue garantir a salvação económica da Grécia, que pode entrar em falência no próximo mês, parece uma piada surrealista ou autista. Ninguém duvida dos esforços da Comissão Europeia para arranjar uma solução para a economia grega dentro das regras europeias, mas pode não ser suficiente. E o que está em cima da mesa é uma operação de salvamento montada pelos bancos alemães. Ou seja, uma solução que reforça a componente intergovernamental e que fragiliza o projecto de integração europeia. A equipa de Durão Barroso pode ficar mal nesta fotografia.
A nova agenda de Barroso devia centrar-se num governo económico para a Europa, suportado por um Orçamento europeu capaz de sustentar uma política económica conjunta virada para o crescimento. Esta é a questão realmente importante. O resto é conversa barroca de burocrata de Bruxelas. O projecto europeu está a meio da ponte. Há uma política monetária única coordenada e garantida pelo Banco Central Europeu. E agora há duas opções: avança-se para uma política orçamental também única ou recua-se e acaba o euro. Ninguém aguenta muito tempo no meio da ponte porque é o ponto mais frágil.
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Bruno Proença, Director Executivo
bruno.proenca@economico.pt
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