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Foi sempre assim (...) em Portugal. Fora os períodos de ditadura (...), nunca nenhuma grande obra pública deixou de suscitar entre nós controvérsias e resistências mais ou menos generalizadas.
Foi sempre assim, e provavelmente sempre assim será em Portugal. Fora os períodos de ditadura, em que a discussão está por definição cancelada, nunca nenhuma grande obra pública deixou de suscitar entre nós controvérsias e resistências mais ou menos generalizadas.
Só para lembrar as últimas décadas, assim sucedeu com a barragem de Alqueva, com a rede de auto-estradas, com a segunda travessia do Tejo em Lisboa, com o novo aeroporto de Lisboa, agora com a rede ferroviária de alta velocidade (conhecida vulgarmente pela sigla francesa, TGV). Parece que no caso da rede ferroviária existe uma espécie de maldição, pois já há um século e meio, quando Portugal avançou, com décadas de atraso, para o lançamento da primeira via férrea, também se levantou uma onda de protestos, onde alinharam mesmo alguns dos espíritos mais lúcidos da época, como, por exemplo, Alexandre Herculano.
Há neste país um fundo de conservadorismo atávico, que resiste a todo o processo de modernização tanto mental como material, como sucede com as infra-estruturas. Só uma forte dose de voluntarismo político consegue superar as dificuldades e as oposições. Sem esses raros surtos de voluntarismo modernizador nenhuma das referidas grandes obras públicas teria vingado e Portugal permaneceria seguramente muito mais atrasado do que está hoje, sem mesmo aproveitar as poucas potencialidades que a natureza lhe ofereceu. Veja-se o que se passou com o atraso de décadas na realização do aproveitamento do Alqueva no Rio Guadiana, que está em vias de ser um grande sucesso para fins de abastecimento de água, de irrigação agrícola, de produção de energia eléctrica e, por último, para fins turísticos.
Infelizmente, os exemplos passados parecem não servir de nenhuma lição para o presente. A cada novo projecto renovam-se as oposições e as resistências. O que espanta nestas polémicas é a combinação do oportunismo político com a irracionalidade e o populismo, jogando com a ignorância e com o medo em relação ao futuro, mesmo quando os estudos mais cautelosos asseguram a viabilidade financeira dos empreendimentos e os seus benefícios económicos e sociais a longo prazo. O novo argumento conservador é o da "sobrecarga sobre as gerações futuras", como se não fosse justo que elas compartilhassem dos custos das infra-estruturas de que irão beneficiar, na medida justamente em que delas irão usufruir, tal como as gerações presentes pagam o proveito que tiram das infra-estruturas herdadas do passado (auto-estradas, pontes, redes de electricidade e de gás, etc.). O que é de lamentar mesmo é que outras infra-estruturas tivessem ficado por realizar mais cedo, como sucede justamente com o novo aeroporto de Lisboa (a sofrer dispendiosos remendos há vários anos) e com a nova rede ferroviária de bitola europeia, que a Espanha iniciou em 1992!
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Vital Moreira, Presidente da CEDIPRE - Universidade de Coimbra
Comentários (28)
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Acções do PSI 20





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A nova ferrovia é uma obra estrurural do pais.
Vai permitir redefiner toda a logistica me Portugal, ou querem continuar a ter CAMIÕES para baixo e para cima?
Vai permitir reduzir a nossa dependencia dos combustiveis fosseis!!!!
Parece que estamos todos a deixarnos embalar pela conversa fácil do cavaco, não podemos gastar, logo ele que gastou tudo e não fez nada!!!!
Cristo chegou e disse...Muito bem...um curto comentario que serve apara explicar muita coisa...Se nos queremos comparar a outros paises, como Espanha, França ou outros da U.E. acho que deviamos se calhar começar por outros parametros que não os kms de TGV. Quiçá ordenado minimo, IVA e preço de combustiveis, ou ainda medidas de protecçao ambiental e apoios a energias alternativas. Kms a mais ou a menos não irão catapultar o resto dos portugueses para um melhor nivel de vida. E utilizar argumentos como o patrio orgulho??? Nesta altura parece-me pouco util, da mesma maneira que dizer que é bom para Portugal o facto de o jogador mais caro ter sido um portugues. O que tal Portugal ser conhecido por mais que isso e nao apenas uma estaçao terminal do TGV??? Isto sao opnioes desconexas e desconcertadas, mas apenas penso que O TGV apenas irá hipotecar o futuro de gerações vindouras...abraços para todos...os que concordam e os que nao.
Não podemos continuar a governar Portugal como se Governa a Alemanha, França, EUA, e outros paises de outra dimensão. Uma casa de 1 filho unico não é a mesma coisa de uma com 12 filhos. Os nossos governantes são responsaveis por 10.000.000 de cidadãos, não pensem que podem decidir em comparação com o Obama. pézinhos assentes na terra, meus meninos. Nada de combiozinhos electricos no Natal...
O problema não é fazer o TGV. O problema é querer fazer o TGV para parar em todas as estações e apeadeiros para agradar aos seus Boys autarcas. E para isso não é necessário o TGV.
O Vital está aqui a dar tapinhas nas costas do governo do seu partido. As infra-estruturas só fazem sentido se forem realmente alterar a forma de fazer as coisas. Por exemplo, a A1 que diminui brutalmente o tempo de viagem entre Lisboa e Porto, ou a A3 que fez com que os transportes da industria pesada sejam mais fáceis e rápidos de transportar para Leixões, ou mesmo a Via do Infante entre outras obras de valor e interesse nacional ou regional. Quando uma infra-estrutura como o TGV, que vai custar uma fortuna e que vai tirar menos de meia hora a ligar Lisboa e Porto, e que na ligação Lisboa-Madrid o seu bilhete vai custar o dobro do que o de avião, então nesse caso não tem razão de ser alguma. Deve-se é aproveitar realmente as linhas férreas que existem e criar por exemplo comboios non-stop entre Porto e Lisboa, bem como arranjar as linhas para que toda a potencialidade do Alfa seja aproveitado (Já anda a mais de 200 kmh…).
Totalmente de acordo com VM, assino por baixo...
Quando as pessoas no fim da proxima década deixarem
de ter o seu pópózinho à porta de casa, porque é inviável,
aí vai todo o mundo estar de acordo com o TGV e dizer que
se andou devagar demais... o eterno Fado...
Caro Cristo,
No tempo de Cristo era o mesmo, e "obviamente" mataram-no!
E que tal ler os relatórios do tribunal de contas, acerca das "derrapagens" dessas grandes obras publicas de que falam?
"...Foi sempre assim, e provavelmente sempre assim será em Portugal. Fora os períodos de ditadura..."
Esta sua afirmação, também se aplica?
Caro Dos Santos,
compreendo o seu problema: que sejamos todos nós a pagar o que deviam ser os privados a pagar, mas neste cantinho à beira mar plantado, sem o estado ninguém faz nada a longo prazo.
Nota: não lhe fica bem os comentários pessoais.
É próprio do HOMEM e da sua natureza, concordar com uma ideia ou discordar dela. No bom senso está o equilíbrio. Os estádios de futebol são um bom exemplo da má aplicação de recursos. O TGV não será uma má aplicação de recursos quando existem outras prioridades e outras alternativas ? O país é assim tão rico para se dar ao luxo de fazer comparações com a França e a Alemanha ? É como um pobre remediado cheio de dívidas a querer fazer figura de rico.
Espanha tem as principais cidades inter-ligadas pelo AVE (TGV) e quase 2000 kms de alta velocidade. Adiar o início da ligação Lisboa-Madrid será uma "saloiada" e a prova de que o Governo está cheio de indecisos. João Soares perdeu as eleições em Lisboa porque lhe faltou coragem para fazer o elevador/mirador para o Castelo ! E tinha acabado com o Castelo Ventoso...
Erro 1: onde diz "por último fins turisticos" devia dizer em 1ª lugar.
Erro 2: voluntarismo político houve e muito para abandonar a barragem de Foz Côa a troco de nada; grande progresso deram ao mundo os rabiscos das pedras, feitos sabe-se lá por quem, e a Portugal, lançando-se água abaixo largos milhões de contos (contos!) já gastos na obra! Entretanto, Foz Côa continua a mesma miséria. Camarada Soares deu o mote - "gravuras não sabem nadar"-, camarada Guterres obedece ao padrinho: abandone-se!
Erro 3: OTA. O seu amigo JAMAIS quanto gastou com a sua teimosia? Não fale na oposição:fale em políticos da treta, a começar por si.
Eu quero uma casa com piscina, uma herdade no Alentejo (já agora a do Esporão) e um Austin Martin com 300 cv. Já agora tb quero a Paris Hilton que é tão loirinha e fofinha e tão apreciadora do man português. Mas quando vou ao banco aqueles senhores mostram elevado "conservadorismo atávico", pois não me emprestam o dinheiro. A minha mãezina, a minha tia, até o meu paizinho que está de "férias" em Caxias por desfalque no emprego, estão sempre a dizer, filho assenta essas ideias, não sejas sonhador e palerma. Definitivamente não percebo porque esta gente toda, "resiste a todo o processo de modernização tanto mental como material". São uns VELHOS DO RESTELO. Enfim são apenas "argumentos conservadores".
Caro CDR, agradecemos ter-nos informado que: aprecia fins-de-semana no belissimo Allgarve, que está empregado, que é funcionário público e militante PS com job relevante. A Expo foi um projecto extraordinário, mudou aquela zona e foi um manifestação exemplar de cultura e inteligência que de facto revolucionou alguma coisa. É pena é não ter sido a inicitiva privada a pagar a factura, dado que foram os construtores civis a beneficiar com o cluster do Parque das Nações, porque andaram todos os portugueses 10 anos a pagar a divída ao exterior???
Todos os portugueses sabem que as grandes obras públicas cá em Portugal têm sempre grandes derrapagens e que essas derrapagens saem sempre do bolso dos cidadãos para irem cair no bolso dos POLÍTICOS CORRUPTOS deste país da treta !! A casa da música no Porto e a ponte D. Isabel em Coimbra são dois EXEMPLOS ABERRANTES DA PODRIDÃO QUE EXISTE NESTE PAÍS DA TRETA !! ALGUMA VEZ ALGUÉM FOI RESPONSABILIZADO E CONDENADO POR ESTAS DERRAPAGENS ??? NAAAAAÃOOOOOOO !!! VERGOOOOOOOONHA !!!!