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O Governo português conseguiu contrariar o pessimismo que se instalou, nos últimos dias, nos mercados e na imprensa internacional.
Afinal, a venda da EDP não foi apenas um acto de pura sorte, como foi vaticinado há poucas semanas, afinal, também apareceram candidatos à privatização da REN. Dito de outra forma, Portugal continua a ter capacidade para atrair o investimento estrangeiro.
A privatização da REN é particularmente relevante para a própria companhia, que passa a ter capacidade financeira para crescer e internacionalizar-se. Mas é ainda mais para o País, porque representa a entrada de capitais e a credibilização de um processo de privatizações que ainda agora começou.
Vítor Gaspar ganha mais um trunfo, interno, mas sobretudo externo. E é nesse plano que, neste momento, o ministro das Finanças precisa de trabalhar, para pôr fim a uma ideia, crescente, de que Portugal poderá ser o próximo a renegociar a sua dívida pública, leia-se a entrar em ‘default'. As privatizações - que serão ‘conduzidas' pelo economista António Borges, uma escolha que dificilmente poderia ser mais acertada - são um factor crítico para Portugal conseguir regressar aos mercados em 2013. Porque são um prenúncio - ou anúncio mesmo - da forma como os investidores internacionais avaliam o que o Governo está a fazer.
A venda da operadora que gere a rede eléctrica nacional aos chineses da State Grid e a um fundo de investimento de Omã, se feita em outro momento, poderia ter gerado outro encaixe, superior aos cerca de 600 milhões de euros apurados. Mas os Estados, como as empresas e as pessoas, são também a sua circunstância. Foi, ainda assim, possível assegurar um ganho na ordem dos 40% face à actual cotação da REN em bolsa. Mais relevante, neste contexto, é mesmo o sucesso desta operação.
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