O Espectáculo. O primeiro-ministro criticou, de forma certeira, o “espectáculo absolutamente confrangedor do maior partido da oposição”.
Na verdade, o PSD tem hoje em exibição um espectáculo sem figura de cartaz e onde os artistas convidados saltam para o palco sem ensaio nem partitura. E pior: há a percepção clara de que a eleição de um novo líder não apaziguará o elenco nem amansará o ego de algumas estrelas. Como sempre acontece no ‘show business' - e a política não é diferente -, só um sucesso de bilheteira evidenciará o brilho e o carisma do actor principal. O poder é, de facto, um afrodisíaco.
Sexta-feira, Sábado e Domingo, a partir do final da tarde, filas intermináveis de carros amontoam-se na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Pergunto a um especialista em trânsito, vulgo taxista, a razão para esta inesperada procissão de viaturas. "Vêm ver as iluminações de Natal", responde e encolhe os ombros. Penso no que levará uma alma a desperdiçar uns litros de combustível e um par de horas (porque é disso que estamos a falar) do seu fim-de-semana para estar parado no trânsito a ver umas luzes a piscar. O especialista em trânsito diagnostica a situação: "Ainda dizem que há crise. Diga-me lá onde é que ela está?". É verdade: ou a crise é uma ficção ou os portugueses precisam mesmo muito de ver a luz.
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Miguel Coutinho
rmcoutinho@sapo.pt
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