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Entrevista

“A fuga de cérebros de Portugal será dramática”

Andrea Duarte  
17/01/12 09:32

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O ex-presidente da FCT considera que, para Portugal, é fundamental continuar a investir na qualificação dos recursos humanos.

João Sentieiro está mais preocupado com o défice de qualificações e com o défice demográfico, em Portugal, do que com o défice financeiro. E avisa: sem pessoas qualificadas, o país não conseguirá dar a volta à crise.

Como vê o actual estado da Ciência em Portugal?
Há muito que fazer ainda. Para Portugal, é fundamental continuar a investir na qualificação dos seus recursos humanos, que são a nossa principal riqueza, e eu diria não só investir nos recursos humanos como investir em reduzir o défice demográfico. Mais do que o financeiro, são dois os défices que temos na nossa sociedade e que são absolutamente críticos para a sustentabilidade da nossa nação: o défice das qualificações e o demográfico. Preocupa-me ver esta centragem que vemos na sociedade portuguesa em torno do défice financeiro, relegando para o esquecimento estes outros dois défices que são mais importantes ainda, que estão no âmago do que são as condições de sobrevivência de uma comunidade.

Considera que isso já não está a acontecer, neste momento, a fuga de cérebros?
Num estudo que foi conduzido pelo Gabinete de Planeamento e Estratégia do Ministério do Ensino Superior, feito com elementos de até algumas dezenas de anos atrás e até 2008-2009, nesse período, em termos de doutorados, houve ‘brain gain'. Mas não garanto que, neste momento, seja essa a situação. Aliás, suspeito que não seja. Quando há estas promessas de empobrecimento e estes apelos a que as pessoas emigrem, elas terão a tendência de ir à procura de oportunidades. Provavelmente, é preciso mudar o discurso e introduzir factores de esperança. Senão, essa fuga será dramática, também pelo investimento feito nos últimos anos na formação de pessoas e na capacitação das instituições, que foi resultado de um esforço enorme dos portugueses, será um desperdício enorme.

Defendeu, há dois anos, que em tempo de crise o investimento em Ciência devia ser reforçado. Isso aconteceu?
Não, isso não aconteceu. É uma ideia que continuo a acalentar. Continuo a acreditar nisso com grande convicção, mas não há um grande sucesso desta teoria. Mas melhorou-se muito nesse aspecto. Há vinte anos, se vivêssemos uma crise como a que estamos a viver agora, a ciência teria sido riscada do mapa, e não foi. Hoje existem muitos mais aliados na defesa da ciência.





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