Recentemente a família socialista europeia reuniu-se em Bruxelas em torno de uma Convenção Progressista e de um Conselho.
Fruto destas reuniões foram apresentadas duas propostas revolucionárias para o panorama político-partidário europeu: a Declaração de Princípios do Partido Socialista Europeu (PES) e as linhas gerais do processo eleitoral democrático e competitivo para a escolha do candidato do PES a Presidente da Comissão Europeia em 2014.
Estas são propostas revolucionarias porque até agora os Partidos Políticos europeus não eram mais que uma amálgama dispersa de partidos nacionais, agregados por interesses fluidos, pouco homogéneos e desligados ideologicamente. Neste sentido, ao aprovar uma declaração de Princípios comum, o PES apresenta-se aos cidadãos e às cidadãs europeias com um corpo ideológico partilhado e um conjunto de valores e princípios políticos sazonados. Já a resolução sobre a escolha do candidato do PES ao lugar de Presidente da Comissão Europeia em 2014 ilustra o processo de maturação democrático e inclusivo vivido no seio do PES nos últimos anos. Para 2014 - e futuras eleições europeias - não só os socialistas apresentarão um candidato único, como ele será escolhido de forma democrática, transparente e participativa, num processo competitivo que envolverá militantes de base, dirigentes, activistas e cidadãos.
Nunca um partido de âmbito europeu tinha ousado avançar com tais passos, quer no que respeita à sua definição ideológica como na decisão de envolver as suas estruturas nos processos de selecção de candidatos.
Infelizmente poucos ecos desta reunião atingiram a pátria lusa, mais preocupada que está com a gestão dos seus problemas quotidianos, de manifesto curto alcance. E impressiona mais a falta de atenção de quem, à esquerda, tem procurado assumir algum protagonismo político. Nem me refiro à actual direcção nacional do PS, que esteve em Bruxelas com uma delegação de alto nível e com uma intervenção alargada elogiadíssima. Refiro-me antes ao conjunto de dirigentes e titulares de cargos políticos do PS - deputados, autarcas, a dita "nova vaga" do PS - que facilmente papagueiam sobre a situação nacional e internacional mas não se dignam a comentar ou participar nas actividades que a família socialista europeia promove, mais ainda quando este espaço é hoje aberto e convidativo à participação qualitativa. É que não pode ser deixada apenas à "alta elite" a responsabilidade da intervenção política. Esta tem de ser partilhada, pois somente assim será possível construir e sedimentar uma nova elite política. Infelizmente muitos destes actores preocupam-se mais com as suas carreiras, com o seu pequeno protagonismo, com o seu tempo de antena. E enquanto mantiverem esta postura umbilical, e forem ocupando os cargos que ocupam, por mais progressista que qualquer direcção nacional do PS seja, nunca o partido socialista conseguirá construir uma nova elite partidária capacitada para intervir de forma significativa na complexa e exigente arena da política contemporânea.
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José Reis Santos, Historiador
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