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Análise BPI

A espera continua...

Agostinho Leal Alves, do Departamento de Estudos Económico e Financeiro do BPI  
02/12/11 13:20

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Os mercados financeiros continuam a aguardar decisões definitivas que assegurem a continuidade do euro, principal instrumento da União Económica e Monetária (UEM) da Europa, igualmente em risco de desagregação perante a crise sistémica da dívida soberana.

Até hoje, as medidas já tomadas, não só de resgate dos países em dificuldades como de intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário de dívida dos estados membros, não inverteram a espiral de degradação económica e de pré-falência em que alguns países se encontram. O facto é que a acção dos dirigentes europeus tem sido sempre à posteriori dos movimentos dos mercados, que agem por antecipação. Agora, aguarda-se uma derradeira reunião do eixo franco-alemão.

A convicção é de que começa a escassear tempo para se avançar de vez para uma solução definitiva, que termine com a crise do euro, alterando o foco do mercado para outros quadrantes. Sabe-se já que tanto a Alemanha como a França querem dar um passo em frente no que respeita à Zona Euro, nomeadamente ao nível da união orçamental e de um governo económico supra-nacional. Para tal serão necessárias regras rígidas a que todos os estados se deverão submeter, sendo necessário proceder a alterações nos Tratados europeus.

Há dias, na reunião do Ecofin, os ministros das finanças da Zona Euro chegaram a um entendimento relativamente à alavancagem do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) que, da actual capacidade de disponibilizar 440 mil milhões de euros, deverá ser capaz de alavancar mais 250 mil milhões. Por outro lado, aprovaram a libertação da sexta tranche do primeiro programa de ajuda à Grécia, no valor de 8 mil milhões de euros (suspensa pelos desenvolvimentos políticos que levaram à formação de um novo governo grego); igualmente o desembolso da quarta tranche de assistência financeira à Irlanda, no valor de 8.5 mil milhões de euros. Entretanto, foi desmentido por parte do FMI de que a Itália estaria a negociar um programa de ajuda financeira. Contudo, as agências de rating permanecem atentas e a Moody's advertiu que poderá baixar as notações de todos os países europeus face ao rápido agravamento da crise da dívida soberana. Esta agência norte-americana não prevê o surgimento de um novo incumprimento semelhante ao grego, mas os elevados custos de financiamento da dívida criam problemas a todos os países.

As tensões e turbulências estão também a ser combatidas ao nível de acções consertadas dos principais bancos centrais, de modo a não haver entraves à liquidez nos sistemas financeiros. Assim, foi de forma positiva que os investidores reagiram perante a acção dos principais bancos centrais de forma a providenciarem liquidez mais barata. Com efeito, a Reserva Federal, conjuntamente com os bancos centrais do Japão, Zona Euro, Reino Unido, Canadá e Suíça, coordenou uma acção de descida do custo de operações swap em dólares. No actual período de escassez de dólares, nomeadamente no espaço europeu, as operações swap de divisas por dólares têm sido habituais de forma a aliviar a pressão da procura e inverter a tendência de subida do prémio exigido por moeda americana. Deste modo, ao imporem um custo mais baixo, foi dado indicação de que não há entraves desta ordem à fluidez de dólares. Também o Banco da China deu um passo em direcção a menores constrangimentos de liquidez na economia, baixando a taxa de reservas obrigatórias junto do banco central por parte das instituições financeiras de 21.5% para 21.0%. Estas duas importantes notícias levaram ao retorno em força dos investidores às bolsas, com especial destaque ao sector financeiro, e a uma valorização do euro, que estava a consolidar uma tendência de perda de valor.

Face à perspectiva de menor crescimento económico na UEM, agravada pela crise, os mercados estão a descontar a possibilidade do BCE descer de novo a sua taxa directora. Ajuda à decisão o facto de o agregado monetário M3 da Zona Euro ter registado uma taxa anual de 2.6% em Outubro, abaixo dos 3.0% de Setembro, quando a média das previsões dos analistas apontava para um valor de 3.1%. A continuada diminuição do crédito foi o principal responsável por esta evolução. Também, a taxa de inflação homóloga na Zona Euro manteve-se em Novembro, pelo terceiro mês consecutivo, nos 3.0%. Na Alemanha, houve mesmo um ligeiro abrandamento da inflação anual, tendo esta descido de 2.5% em Outubro para 2.4% em Novembro.

No seu relatório semestral, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) defende que uma redução da taxa directora do BCE e o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira são duas formas possíveis de combater a crise da dívida na Zona Euro. Para as 17 economias do euro, a OCDE estima um crescimento económico de 1.6% em 2011 e 0.2% em 2012. A economia portuguesa deverá cair 1.6%, este ano, e 3.2% em 2012. Quanto ao desemprego são esperadas taxas de 9.9% em 2011 e de 10.3% em 2012, na Zona Euro, e de 12.5% e 13.8% para os mesmos anos em Portugal.

 




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