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Entrevista

“A economia está menos mal do que nós a fazemos”

Hermínia Saraiva e Elisabete Felismino  
26/08/10 00:05

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1 leitores

Francisco Van Zeller faz um diagnóstico menos pessimista da economia.

O diagnóstico é feito por Francisco Van Zeller. "A economia está menos mal do que nós a fazemos." Um por um, o empresário desmonta os argumentos, diz que "o grande transtorno que temos da crise é ao nível individual, que se reflecte no desemprego".

O presidente do Conselho para a Promoção da Internacionalização lembra que quem manteve o emprego está agora em melhores condições porque os níveis de poupança subiram e, apesar de uma ligeira quebra do consumo interno, as empresas continuam, a produzir. "Os projectos continuam. Onde estão a ser travadas as empresas? No investimento, porque não há crédito", diz o presidente do Conselho para a Promoção da Internacionalização.

Mesmo assim, ao baixaram a produção no ano passado, as empresas mantiverem a capacidade instalada e é a partir desta que se mantém hoje no mercado. "Estamos a exportar à base de capacidade instalada. Isso vai acabar. Num dado momento, se se aumenta a produtividade, é preciso investir para ter mais capacidade, mais produto", explica .

Até lá, é preciso aproveitar as oportunidades que o mercado internacional oferece, pôr a internacionalização na agenda, encontrar uma estratégia nacional e falar a uma só voz. Francisco Van Zeller faz o papel que lhe cabe no Conselho para a Internacionalização, mas reconhece que a estratégia nacional tem falhas. Falta, por exemplo, definir um caminho para o sector do agro-alimentar.

João Miranda, homem habituado a estar no terreno, conta a experiência na primeira pessoa, fala do que vê lá fora nas feiras internacionais, o cada um por si: "Temos qualidade, mas não temos um trabalho estratégico que suporte essas empresas, elas não tem tido grande necessidade de pedirem ajuda porque têm desenvolvido competências e têm-se internacionalizado mas de forma desgarrada."

Van Zeller reconhece que este é um problema: "A agro-industria, por exemplo, está muito pouco representada e é uma das coisas que precisa de ser desenvolvida, são todas as matérias ligadas à agricultura."

O presidente da Frulact dá uma ajuda, sugere a criação de uma marca única "que seja selectiva na admissão das empresas". Até porque, sublinha, existe "claramente um patamar no agro-alimentar que se está a colocar ao nível do melhor que se faz em Portugal". Na agricultura, como em muitos outros sectores.

De um modo geral, a indústria tem futuro em Portugal. João Miranda usa os têxteis como exemplo, fala de um processo de selecção natural em que apenas os melhores, mais inovadores, mais competentes conseguem vingar. E o maior desafio continua a ser o da internacionalização. Para isso, Van Zeller, defende que os apoios existem, mas que é preciso que as empresas se cheguem à frente. As empresas só não estão mais apoiadas, diz o presidente do Conselho para a Internacionalização "porque há alguma inércia que este Conselho tem de romper para que as empresas utilizem o material, as disponibilidades que existem, tanto humanas como institucionais, para lhes facilitar a vida".

João Miranda tem dúvidas sobre a forma como têm sido usados os numerosos fundos que têm sido colocados ao dispor das PME. "Em termos objectivos e práticos o que é daí resulta para o desenvolvimento deste perfil empresarial ainda não consegui avaliar... não sei se andámos estes anos todos a desperdiçar fundos por não estarem tão bem canalizados", diz o presidente da Frulact.

 

 

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Comentários (31)

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Alerta , | 26/08/10 20:20
Não acham que deveriam ter mais cuidado com a aplicação dos tempos verbais no parágrafo número 3?


xxx , | 26/08/10 16:13
... engano meu! Não estará melhor, mas não estará tão mal assim!


xxx , | 26/08/10 16:12
Sim, ele tem razão: Porque para:
1 - quem não tiver sido afectado com o desemprego e com a iminente restrição ao subsídio ou
2 - quem não antever os próximos meses,
...estará melhor


JCarvalho , Porto | 26/08/10 10:50
Parece-me que neste dominio, nnguém está interessado em saber a opinião de mais um "homem do sistema" que se governa neste Pais da treta!


POIS , | 26/08/10 09:58
SE NÃO FOSSE A MALDITA DA BANCA ESTAGNAR OS MERCADOS AINDA ESTARIAMOS MUITO MELHOR MAS O GOVERNO TEIMA EM NÃO VER ISTI E DEIXA ESSES BANQUEIROS TIRAR O MÁXIMO AO CLIENTE PARA PODEREM RECEBER OS IMPOSTOS COBRADOS POR ESSAS COMISSÕES E O IMPOSTO DO SELO , MAS NÃO É A BANCA QUE O PAGA ´É O DESGRAÇADO DO CLIENTE.


Carlos , | 26/08/10 09:55
As empresas estão melhor do que os patrões dizem ... e verdade! Assim podem subjugar melhor os desgraçados


António Costa Lima , | 26/08/10 07:49
A economia está boa para tipos como tu, que têm tudo de mão beijada. Se enfrentasses o desemprego e não tivesses as cunhas que tens, provavelmente não teria esse discurso. É por causa de indivíduos como este que se pagam ordenados de miséria em Portugal e se exploram constantemente as pessoas.


Luis carlos , carcavelos | 26/08/10 04:39
Estamos nas mãos do capitalismo puro e duro , digo isto sem complexos de esquerda pois não sou, no entanto é facil de verificar que estas noticias servem apenas para as agencias de Rating__ que é uma coisa que está na moda __ fixarem juros mais altos para os paises que acham perigosos, isto é revelador pois se puderem ganhar 100 ninguem se fica por 50 e com os bancos já se sabe como é, penso que realmente a economia não está tão mal como a pintam, embora saibamos que as coisas vão mal principalmente com o nivel de desemprego a atingir um numero record o que motiva graves problemas ás pessoas. Também para as pequenas empresas a situação é má e para o consumo pois se o pessoal não tem dinheiro não compra se não compra as lojas não vendem se as lojas não vendem as fábricas não fabricam e não saímos desta circulo vicioso pois com a fobia do deficite estrangulam as economias pequenas como a nossa.
Existem noticias que servem só para confundir as pessoas como a de que as empresas que teem contrato colectivo de trabalho levaram em média 2,5% de aumento. Trabalho numa que deve ser a par da EDP a maior empregadora nacional e penso levar de aumento 0,8% digo penso pois era para ser em Janeiro e até agora nada, mas a acomunicação social vai lançando as noticias que quer sem qualquer tipo de confirmação da sua veracidade mas só para fazer a cabeça das pessoas.


Domador da Fera Morta , PORTO | 26/08/10 03:28
A nossa economia precisa é que a banca passe a ser, cada vez mais, uma sociedade de gestão de risco e aposte em projetos pela sua capacidade de gerar riqueza!
O que temos assistido infelizmente, é uma banca que só "joga pelo seguro", apoiando com "um presunto a quem já tem um porco"! Assim, como dizia aquele jogador português: "ó treinador, assim não vamos lá!".
Qualquer banco que se preze, TEM DE CORRER RISCOS!!!!!!!!!!!!! Se não correr, então que se lixe a banca. Por ex., o grupo Zara, nasceu com uma ideia e SEM CAPITAL! Só que a banca espanhola, decidiu apostar na ideia do cliente, apoiando-o com algumas cautelas, mas sempre com o factor risco associado.
Enquanto se fizer como até agora, é sinal que o pior do Salazarismo ainda é presente. Nunca seremos uma democracia de "pleno direito", enquanto se mantiver uma estrutura económica deficiente e mal regulada, cheia de compadrios, como o existente nas "autoridades da concorrência", ERC, ANACOM, Banco de Portugal, Etc


Marti , Coimbra | 26/08/10 03:24
Quando este Sr. era o Presidente da AIP dizia que estávamos no fundo do poço e só com despedimentos livres e sem justa causa ou seja (à Lagardère) é que o país saia do buraco, agora mudou de discurso...

Deixe lá esse discurso e vamos despedir os poucos agricultores que ainda trabalham a terra.
Razão do despedimento: produzem poucoooooo


Século XXI , | 26/08/10 02:15
Alguém me pode explicar porque dizem que há censura nesta notícia?

Obrigado!


erf , | 26/08/10 01:56
Realmente exigente gente alucinada, uma noticia fala bem de alguma coisa e é censura, se fala mal tudo bem.


lince da malcata , deserto da margem sul | 26/08/10 01:38
E a censura , como sempre , é tão estúpida!


was , | 26/08/10 00:55
Nem mais, uma visão clara e correcta do estado da economia.
Se não concordarem, ao menos apresentem argumentos e não patetices.


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