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Pedro Adão e Silva

A economia do surf

20/10/09 00:08 | Pedro Adão e Silva 



Dez anos depois, uma etapa do circuito mundial de surf volta a passar por Portugal. É uma óptima notícia para os adeptos da modalidade, que durante duas semanas, se as condições do mar em Peniche o permitirem, vão poder assistir a um espectáculo notável.

Mas é também um óptimo sinal para a economia portuguesa, que tem no surf uma oportunidade de enorme potencial.

Num estudo recente, dedicado ao ‘hypercluster' mar, coordenado por Ernâni Lopes, era afirmado que a economia do mar poderia ser, ao mesmo tempo, uma força propulsora e um catalizador capaz de dinamizar um conjunto de sectores com elevado potencial de crescimento e capacidade para atrair investimento. Tanto mais que o potencial económico do mar tem sido escassamente explorado, nomeadamente através de investimentos inovadores, capazes de acrescentar valor. Ora o surf é precisamente um dos sectores onde melhor se pode combinar crescimento sustentado, com criação de novas oportunidades económicas no quadro da economia do mar.

Tal como há na Europa regiões inteiras cujo desenvolvimento virtuoso radicou nos desportos de neve, o surf poderia desempenhar o mesmo papel alavancador em várias zonas de Portugal. O surf poderia estar para o turismo português como os desportos de neve estão para os Alpes suíços.

O turismo de surf não é massificado, representa um nicho de mercado em franca expansão e é ambientalmente sustentável. Os surfistas, até porque o desporto depende de um recurso natural (as ondas), valorizam as boas práticas ambientais, o que estimula a preservação ecológica das praias. Esta preocupação ambiental funciona como um constrangimento positivo, que contraria a propensão para a destruição do orla costeira - tarefa à qual se têm dedicado muitos autarcas portugueses ao longo de décadas.

Portugal tem, no contexto europeu, condições únicas para a prática de surf. Temos um clima temperado, ondas de qualidade e, não menos relevante, condições para o surf durante todo o ano. A estas condições acresce a nossa centralidade, nomeadamente quando comparado com outros destinos de surf, bem mais distantes. Além do mais, tendo em conta que as melhores ondulações são fora do Verão, o surf pode ajudar a compensar as quedas na ocupação hoteleira fora da época alta.

O surf pode ajudar a fazer uma síntese de que muitas regiões do país bem necessitam: gera novos recursos, mas contribui também para preservar recursos naturais, que tradicionalmente eram vistos como um empecilho ao desenvolvimento económico. Os bons exemplos das autarquias de Peniche e de Cascais - que têm visto no surf uma oportunidade para a criação de uma nova identidade local bem podiam ser seguidos por muitas outras câmaras do pais que, tendo ondas de qualidade, não só não cuidam da sua protecção, como desprezam o seu potencial económico.
____

Pedro Adão e Silva, Professor universitário

 




Comentários (21)

Toy do Valle , LX | 07/10/11 12:06
Caro Sr. Professor, julgo que devia ver a entrevista de Bobby Martinez em NY, porque, o desporto de elite requer gestores de elite+1, esqueçamos as praias os POOC, os PEKS e tudo o resto, porque a palavra chave é RETORNO a quem investe, hoje e no futuro. Sponsor, parceiros, invetidores e atletas querem retorno, o desporto Pro é sem dúvida em 99% dos casos, uma profissão de desgaste rápido, a Politica desportiva e das Associações Desportivas são geridas em part time por bem falantes agarrados ao poleiro. Fala gente criativa.


rachat de credit , Nantes | 16/12/10 18:38
really an eye opener for me.

- Robson


Rooper , Lisboa | 02/11/10 22:36
Excelente artigo que demonstra a visão que muitos já tiveram mas que quem manda neste país nunca quis aproveitar.
Espero que com a prova de que este é de facto um meio sustentável de diversificar o nosso turismo, possam, os nossos politicos, potenciar oportunidades de deixar crescer uma mais valia do nosso país, outrora aproveitada até ao limite...o mar!


André Cristovão, Ericeira e Peniche | 11/01/10 12:23
Recentemente chegado a Portugal e tendo o previlégio de Organizar o meu plano pessoal e profissional, gostaria de salientar e reforçar a importância de eventos ecológicos por parte dos grandes organizadores a quem compete a realização de eventos desportivos em todas as modalidades de cobertura da vossa edição.

Existe desta forma um hiato que permite a reallização de eventos de foro ecológico e educacional em termos de formação de todos os utilizadores de espaços protegidos e zonas públicas de acesso.

Acções de carácter ecológico e de preservação do meio ambiente, como as que foram realizadas pelo Clube de Surf de Viana de recolha e reciclagem de depósitos, saliento também campanhas realizadas pelo movimento SOS Carcavelos com o objectivo de preservação e conservação de certos espaços e praias nas zonas costeiras em Portugal.

Através desta mensagem envio um voto de um bom ano com melhores objectivos e resultados por todos aqueles que estão envolvidos nestes projectos para começar a trabalhar neste 2010.

Saliento o trabalho de amigos e professores João Zamith em Viana, do projecto da Costa Azul na praia dos Aivados, do Pedro Monteiro e do nosso Prof. Pedro Bicudo no movimento de proteção das praias da linha em Lisboa e do trabalho das escolas de surf em Portugal que tem um forte papel na educação para a preservação, bem como nas suas acções de recolha de lixo em muitas praias do nosso muito apreciado Beira Mar Plantado Portugal.

Fica o registo de associações e entidades de foro ecológico e humanitárias que desenvolvem e promocionam iniciativas associativas e voluntarias nestes dominios de intervenção.





Tribal Spirit Travelers

André Cristovão
andrepalha@hotmail.com @ facebook.com
931164765


www.livingoceansfoundation.org
www.reefcheck.org
www.surfrider.org
www.surfaidinternational.org/
www.redcross.org/



João Monjardino, Angra Heroísmo, Açores | 21/10/09 02:37
Depois de ler o trabalho feito pela SAER, o Hypercluster da Economia do Mar, em http://www.saer.pt/ e sem querer entrar nas típcas trivialidades do estilo Luso, confesso que fiquei estupefacto. Este estudo, com cariz supra-político, vindo de quem vem e feito para quem foi consegue até que acreditemos num novo rumo para o País embora não seja mais do que o redescobrir da pólvora. A costa Portuguesa, toda ela, ainda é um grande recurso multi-vectorial. Se não for metodicamente estoirada dará muito durante muitos anos e a muita gente. É bom lembrar que somos um Povo que sofre de hidrofobia pelas más experiências na costa que se multiplicaram um pouco por todo o lado: de Norte a Sul passando pela Madeira e Açores sempre, sempre por falta de conhecimento e planeamento. Esta conjugação fatal tem sido uma tragédia nacional que nos persegue há tempo demais. O Mar tem que ser entendido na diversidade de temperamento que encerra. A situação complica-se quando se adiciona a relação humana à equação e ainda mais se lhe juntarmos a nossa incapacidade genética para a síntese perante grandes questões. Quando Ernâni Lopes fala em investimento maciço em educação nesta áreas sabe bem o que diz. Para quem está farto de saber que a nossa costa é de ouro sugiro que leiam o PDF disponível no site da SAER a partir da página 141... mas não se fiquem por aí. A Náutica de Recreio e Turismo Náutico (B) é uma mosca ao lado de um mamute que se não souber por onde anda, isto é se não houver conhecimento e planeamento reais, vai ser o diabo em calções em muito recanto sossegado do País. Espero que não seja assim mas para tal temos mesmo que mudar porque as coisas boas da nossa costa não são sabão mas gastam-se!


Nuno MagicMoments, Sagres | 20/10/09 21:31
Numa altura em que a palavra de ordem é sustentabilidade, naturalmente, isto é Ambiental e socioeconómica. Caso estivéssemos numa sociedade minimamente evoluída estaríamos muito mais atentos, isto porque é imperativo reflectir e planear como interferir na nossa Orla costeira.
Atenção, estamos a falar de um tema que é do interesse e de relevância estratégica nacional!
Já é tempo de sentir o que realmente é importante à vida, e deixar de colocar os interesses económicos e pessoais à frente dos interesses Ambientais!

Não esqueçamos que, Hoje vivemos numa sociedade caracterizada pela mobilidade e dominada pela Informação, e Evoluímos para aquilo que é designado de sociedade do Conhecimento.
Se não tratarmos bem de nós, Nós, de nós não gostaremos e ninguém de nós gostará.
Um exemplo concreto disso mesmo é já estarmos a perder muitos Turistas e surfistas de peregrinação regulares da zona da Ericeira e Peniche, só devido à construção desenfreada.

Que se prepara agora nos bastidores para a costa vicentina?!
Que vantagens e a quem beneficiará com novo programa Polis? E o que está em risco de se perder?

Quem Ama Partilha e Cuida!


joao capucho, cascais | 20/10/09 17:50
a pedra de toque para que tudo isto aconteça é a passagem urgente para as camaras municipais da tutela das praias. Misturam-se e atrapalham-se as Capitanias, o IPTM, o Instituto da Água, os Parques Naturais, as extintas, no nome e nao na incompetencia, CCDRs e no final do dia, as camaras municipais apenas têm o custo e nunca as receitas (directas) dos seus investimentos. A actual legislação das Praias, com algumas "marteladas" - algumas quase mortais - dos sucessivos governos, ainda resulta do codigo administrativo do Prof Marcelo Caetano e está, como seria de esperar, totalmente desadequada da realidade e apenas serve para alimentar o sorvedouro da despesa publica.


Ricardo, Barcelos | 20/10/09 10:15
Gostava de saber o que o autor quer dizer por "ambientalmente sustentável"! Porque á parte dos desportos motorizados não me lembro de muitos que sejam ambientalmente insustentáveis. Devia experimentar o atletismo uma vez que o material de que são essencialmente feitas as pranchas demoram cerca de 150 anos a decomporem-se na Natureza. Ou o futebol em que a bola é dividida por 22 jogadores, isto sim é economia!


T´G, Lx | 20/10/09 09:46
Se for um crescimento sustentado e bem estruturado com certeza que pode minorar os impactos negativos. Tal como na neve, grande parte do nicho de mercado de surfistas tem poder económico, como tal, ao criar as infraestruturas, poderiamos atrair esse nicho para cá, ao invés das carrinhas com espanhois. Pode ser verdade que actualmente seja esse o turismo de surf que temos cá, mas se criarmos condições poderiamos mudar isso. A nossa costa tem potêncial


guru, | 20/10/09 09:14
Sr RUI, eu não sou praticante de surf mas de Kitesurf e sempre que vou ao estrangeiro sou sempre bem recebido pelos locais e faço o mesmo cá no burgo!
Quanto ao lixo nas praias... quem deixa mais lixo é o pessoal do garrafão e do piquenique...tugas autênticos. A maior parte das pessoas que fazem desportos aquáticos tem um grande respeito pelo meio ambiente!
Sr VG... o espírito de quem faz desportos radicais é mesmo esse... comer bananas, sabe que tem muito magnêsio e dormir onde calha... o importante mesmo é sentir a adrenalina que estes desportos provocam e o contacto com a natureza.


Estarola, | 20/10/09 08:58
Parabéns pelo artigo Professor. Até que enfim que fala de algo que conhece.


Rui, Lisboa | 20/10/09 07:27
Têm toda a razão mas esquecem-se que a maior parte dos surfistas estrangeiros são espanhois que invadem as praias do Sul. 99% destes estrangeiros dormem em carrinhas,comem nas carrinhas a comida que trazem de Espanha e não gastam um unico centimo em Portugal...apenas servem para sujar as praias(...e muito) e para criar mau ambiente devido á falta de respeito que mostram pelos surfistas Portugueses!


vg, | 20/10/09 00:41
E os surfistas ainda dormem em tendas e comem bananas ,ou já vão para os hoteis?


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