A análise custo-benefício de um grande projecto pressupõe o domínio de vários conceitos: o investimento implícito, as receitas esperadas, o horizonte temporal, a taxa de desconto, etc.
Desconheço as entidades que o analisaram o TGV - Lisboa-Porto, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid. Mas não tenho razões para duvidar da competência e da honorabilidade dos seus autores. Vou admitir que a análise foi bem feita.
Estudos recentes apontam para que o TGV custe € 7,5 mil milhões, dos quais apenas 36% serão suportados pelo Estado. E o impacto económico-financeiro, num horizonte de 30 anos, será de €126 mil milhões de PIB, de €64 mil milhões de receita fiscal e de 56 mil novos empregos permanentes.
A que se juntam aqueles benefícios mais dificilmente mensuráveis ligados ao ambiente, à mobilidade e ao desenvolvimento regional. É pouco? É o que é.
Ao longo de uma década, o TGV passou por todos os crivos: foi estudado ao milímetro, foi aprovado pelo PSD/CDS, esteve em duas Cimeiras com a Espanha, foi confirmado pelo PS, é prioritário em Bruxelas e pode ser financiado pelo BEI. Mais: foi "vendido" ao país como exemplo modelo de uma Parceria Público-Privada em regime de concessão. Quando agora nos dizem que é preciso parar para pensar - querem dizer o quê?
Um projecto como o TGV é composto por duas fases: a fase de financiamento e de construção; e a fase de exploração e de reembolso. Os custos são suportados pelos utilizadores. A esta luz, o modelo é análogo ao das auto-estradas com portagem. Gritar aos quatro ventos que há uma sobrecarga para as gerações futuras é o mesmo que ir tomar banho ao mar e concluir que a água é salgada. Como é que queriam que fosse?
Dito isto, é preciso acrescentar que, sendo o dinheiro um bem escasso, escolher um investimento é preterir investimentos alternativos. E não me custa admitir que possa haver outros melhores. Pois bem, onde estão as alternativas ao TGV? Quem as estudou? Não sei de qualquer resposta a estas perguntas. Mas sei de muita gente a reclamar estudos. É uma obsessão doentia: estudos e mais estudos, sempre os estudos...
A dança do TGV é a imagem de Portugal ao espelho. Perdemos tanto tempo a fazer estudos que ficamos sem tempo para os materializar.
d.amaral@netcabo.pt
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O TGV é como o assunto do provedor de Justiça.. Perdem tempo e não se entendem porque não é a dama deles que fica raínha do baile.. O Psd esbraveja agora contra o TGV e já foi defensor fervoroso do mesmo.. Um dia que ganhasse as eleições e fosse governo, fazia golpe de rins e construía-o rapidamente.. Estamos habituados a estas tretas desta malta toda.. Se querem tanto poupar dinheiro ao Orçamento de Estado, então municipalize-se a Carris e o Metro de Lisboa.. Ponham os municipes a pagar os custos de exploração e não os cidadãos do país inteiro..
Obrigado Professor Daniel Amaral. Haja alguém que explique como funcionam estas coisas. Ao contrário do super reputado Economista que há cerca de dois meses afirmou perante as câmaras de TV: "Numa Estrada há Custos e Benefícios. Os Custos é o que se paga ao Empreiteiro para executar a Obra. O Benefício é o que os carros passam para lá passar".
Concordo com o artigo e com o comentário de <Leandro Coutinho>. O projecto do TGV não é um projecto de Sócrates. É um projecto nacional, que já está em coma da mesa ha muitos anos e até ja foi aprovado por todos os partidos.
Mais palavras para quê?!...Falam e comentam pessoas sensatas que querem ver o País a andar e não a feirar!...
E onde se irão centrar os benefícios? Nos centros mais desenvolvidos de Portugal. O TGV vai criar emprego...tudo bem...mas vai criar empresas? Tendo em conta o nível de endividamento do país será o momento ideal? Estudo e mais estudos mas sabem o valor de uma opção? Neste caso a opção de adiar o investimento para uma melhor altura.
Portugal não tem criação de riqueza e quando se quer fazer algo é o Estado que tem de entrar com mega-projectos. É preciso iniciativa privada e para isso é preciso investir mas nao acho que seja em TGV's.
Acho que é altura de se esperar que não seja sempre o Estado a chegar-se à frente....se calhar serão anos de influência de uma ditadura que assim habituou os portugueses.
E o impacto económico-financeiro, num horizonte de 30 anos, será de €126 mil milhões de PIB, de €64 mil milhões de receita fiscal e de 56 mil novos empregos permanentes.
aquilo que se chama atirar areia pros olhos
A mesma equipa laranja (Durão Barroso+Manuela Leite) que defendeu o TGV/AVE , agora dá o dito por não dito ! Ai se os tais 27 homens + 1 Mulher "economistas credíveis" sabem disto ! O que será a credibilidade para esta "elite" ?
Os portos portugueses, por não estarem ligados directamente à nova rede ferroviária, com a mesma bitola, electrificação e sinalização, não poderão transportar directamente os contentores para à U.E. e o nosso país ficará mais isolado e menos competitivo.
http://static.publico.clix.pt/carga_transportes/noticias.asp?id=1374739
Concordo com o artigo. O PS cede em toda a linha, não se pode concordar com o TGV lisboa-porto, é uma irracionalidade, acabe-se a linha do norte e logo se verá, mas a ligação internacional não tem nada que ser adiada. O PM está na defensiva, este caso é um pouco como a decisão aberrante de impedir a PT de fazer um negócio que faz todo o sentido, que está na linha do plano estratégico, que só deve depender do CA onde o estado tem um membro. E para quê? Para o PM não ficar políticamente exposto para as próximas eleições! Fim da crise? recuperação? Não com decisores políticos destes, ao virar da esquina virá mais uma decisão e depois outra que prejudicam o país. Travar o TGV internacional é um dislate político- dá-me vontade de não votar nas legislativas- e sobretudo de natureza económica. Empresas cotadas? O que é isso? Se querem vender as empresas, o que acho muito mal, não deveria haver lugar a instrumentos deste tipo. Como é que a UE ainda não acabou com eles?
Os que defendem o TGV a tudo o custo, deveriam pelo menos, pensar no GRANDE TRAMBOLHÃO que aconteceu à economia mundial e Portugal não ficou à margem como a China. Não continuem a bater na mesma tecla, das posições anteriores, de quem agora tem outra ideia sobre este projecto. O Mário Soares (socialista) disse uma vez: "só os burros é que não mudam". Os estádios de futebol não serviram de exemplo ?
"56 mil novos empregos permanentes". Tá tudo doido ou quê? Como? Em meia dúzia de estações e duas dúzias de comboios? Isto faz lembrar as análises dos "experts" financeiros antes da bolha tecnológica rebentar. Qualquer powerpoint valia logo dezenas de mihões. E era só paperware....
Ainda não peceberam o porquê da importancia de quem assina o contrato do TGV? É que quem assinar é que leva o cabaz do Natal, que, como é tradição, os empreiteiros dão aos clientes pelo Natal. Se for este governo, o PSD fica sem o bacalhau. Assim convém adiar para ver se cai alguma posta...
O resto são balelas! O TGV vai avançar Lisboa-Badajoz ( porque é que falam sempre em Lisboa-Madrid?), e depois logo se vê se o resto avança. Cá para mim o Alfa Pendular se acabassem o projecto de melhoria de linhas e alguns troços novos, ficava ao nivel do tgv, mas assim havia menos bacalhau....
Os estudos continuam, a próxima visita de estudo está programada para dar uma volta no Maglev de Xangai que está em funcionamento desde 1 de Janeiro de 2004. Esta máquina é um comboio de levitação magnética, bate os 500 Km/h.