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Bruno Proença

A CGTP tem que conquistar o seu futuro

30/01/12 00:03 | Bruno Proença 



A CGTP viveu um momento histórico no passado fim-de-semana. Esta expressão não é um exagero, tendo em conta o ritmo lento a que ocorrem as mudanças no topo da Intersindical.

Os dirigentes tendem a eternizar-se, o que apenas sublinha o conservadorismo da CGTP. Carvalho da Silva esteve tantos anos na liderança, que a sua história confunde-se com a da Intersindical. Foi um líder que garantiu um lugar nos livros porque ajudou a moldar o sindicalismo em Portugal no pós-25 de Abril. E ficará também na história por ter contribuído para colocar a CGTP num beco sem saída.

No seguimento da revolução, os sindicatos foram importantes para garantirem aos trabalhadores um conjunto de direitos esquecidos durante os tempos negros do Estado Novo. Mas depois pararam no tempo e foram incapazes de perceber que a economia nacional já não consegue assegurar aqueles direitos. Não conseguiram adaptar-se e estão a perder relevância na sociedade. Como explicou Darwin, não sobrevive o mais forte mas o que tem mais capacidade de adaptação.

Esta é a questão fundamental que a CGTP e a UGT têm que enfrentar nos próximos anos. Mais a Intersindical porque nos últimos tempos fechou-se em casa e recusa-se a falar com qualquer pessoa que tenha uma opinião diferente. Por isto, este congresso é tão importante e a passagem de testemunho de Carvalho da Silva para Arménio Carlos pode ser uma oportunidade ou a ostracização da CGTP. A expectativa é que Arménio Carlos reforce a linha mais dura, ligada ao PCP, que gosta pouco de diálogo e muito de manifestações. Se assim for, teremos uma CGTP que continuará fora de qualquer conversa construtiva na concertação social e refém da esquerda mais extremista e conservadora, ainda agarrada a preconceitos marxistas que acabaram há muito - pelo menos desde 1989, com a queda do Muro de Berlim.

Até porque a proposta da CGTP é pouco apelativa para os trabalhadores mais jovens. Agarrada aos direitos do passado, apenas defende os trabalhadores estabelecidos - como os que ainda existiam na função pública antes da chegada na ‘troika' - e não os que estão no desemprego que sofrem com a desregulamentação excessiva. O mercado de trabalho em Portugal é dual: de um lado, os poucos que vão vivendo com regalias que já não fazem sentido e, do outro lado, uma esmagadora multidão que para sobreviver está a ser cada vez mais empurrada para a precariedade.

Paradoxalmente, a CGTP não aparece a defender os que precisam mas sim os bem estabelecidos na vida. A Intersindical foi traída pelo seu conservadorismo.

Isto significa que a CGTP não tem um lugar na sociedade portuguesa? Obviamente que não. Bons sindicatos são tão fundamentais como bons patrões para garantirem um desenvolvimento consistente da sociedade. Por isso, Arménio Carlos tem o futuro da Intersindical nas mãos. Tem que abrir para se tornar relevante, caso contrário acabará uma peça de museu. Ninguém vive para sempre. A História está cheia de instituições que se julgavam eternas.
____

Bruno Proença, Director Executivo
bruno.proenca@economico.pt




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