Comunidade
Sempre que pode, o PS enaltece o investimento público. Para os socialistas as obras estatais são a melhor maneira de criar emprego. Mas será sempre assim?
Não pode o investimento público transformar-se numa das causas do desemprego? Não pode o Governo, ao gastar dinheiro, estar a cavar um buraco ainda maior do que aquele em que nos encontramos?
O Estado financia obras através de impostos, recorrendo à emissão de títulos de dívida pública, ou dirigindo-se aos bancos, muitas vezes em parceria com os privados que, por o negócio não correr conforme o esperado, são substituídos pelo próprio Estado no pagamento dos juros bancários. Ora, esta última solução é a melhor para os bancos e a pior para os particulares. Atentemos no seguinte: Quando o Estado se financia nos bancos, estes deixam de precisar dos restantes clientes como necessitavam antes. Banco que tenha o Estado como cliente, terá todos os motivos para ser mais exigente com os privados. Com os objectivos garantidos por via do dinheiro dos contribuintes, pode recusar os clientes que quiser. Fá-lo-á subindo o custo do dinheiro que concede às empresas e aos particulares. Dificultando-lhes ainda mais o acesso ao crédito.
Com menos crédito, as empresas privadas, não conseguem investir, não contratam mais trabalhadores. Talvez não consigam manter os seus empregados. Provavelmente terão de os despedir. O desemprego aumenta. Um efeito totalmente contrário ao inicialmente pretendido com o investimento público. Um efeito discordante dos pedidos do governo para que os bancos concedam mais e mais crédito. Totalmente oposto aos objectivos desejados com as contínuas descidas das taxas de juro. O que parece positivo à primeira vista, depressa se torna numa grande armadilha.
Este desemprego decorrente da intervenção do Estado é poucas vezes referido. Ele é invisível, mas não inexistente. É invisível porque nunca conseguiremos determinar por que motivo aquela empresa fechou, por que razão ela falhou aquela encomenda. Nunca conseguiremos determinar que a razão desse insucesso foi o crédito não concedido em tempo útil, ou os impostos pagos que lhe retiraram a liquidez de que necessitava. Mas existe. Ele está disseminado pelo país, espalha-se como um cancro e como um cancro consome-nos sem se revelar até começarmos a sentir as dores.
Vivemos tempos muito complicados e de desfecho incerto. Há que ter a cabeça fria para não se repetirem os erros do passado. Para tal é urgente cautela no investimento público, humildade no exercício do poder e que nunca se assuma que sapientes directivas feitas com as melhores intenções, resolvem problemas complexos e de difícil resolução.
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André Abrantes Amaral, Autor do www.jamais.blogs.sapo.pt, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Social Democrata
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