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O medo regressou. E com ele vieram também as dúvidas de muitos portugueses sobre a segurança das suas poupanças. O Económico dá-lhe a conhecer o risco a que o seu dinheiro está exposto.
Uma sensação de ‘déjà vu' invadiu o espírito de muitos portugueses nas últimas semanas. Os problemas que envolvem as finanças públicas da Grécia e o contágio da crise a Portugal (com os sucessivos ‘downgrades' por parte das agências de ‘rating') fez renascer em muitos investidores e aforradores as mesmas preocupações em torno da segurança das poupanças que se verificaram no final de 2008. Na altura, a falência da Lehman Brothers levou a uma crise tal que vários bancos mundiais tiveram de ser resgatados pelos Estados. Portugal não escapou à tendência, tendo de deitar a mão ao BPN e ao BPP.
Haverá razões para que se verifiquem agora os mesmos receios do passado? Diogo Serras Lopes, director de investimentos do banco Best, separa as situações. "Enquanto nessa altura [2008] se assistia ao "rebentar" da bolha especulativa das cotações dos activos financeiros, actualmente o enfoque está centrado nos desequilíbrios orçamentais de alguns estados soberanos e na forma como estas situações são aproveitadas pelos especuladores". E adianta: "No entanto não se pode esquecer que, em termos de economia real, continuam a verificar-se melhorias quase constantes nos diversos indicadores". Já Paulo Ramalho, CEO da OK2Deal, está mais pessimista e admite que há razões para as pessoas estarem preocupadas. Ainda assim, refere: "Apesar de acreditar que o sistema bancário e financeiro português resistirá a este "cataclismo" penso que se é possível gerir o património financeiro com segurança não se deve correr riscos desnecessários e evitáveis".
Num ponto todos os especialistas estão de acordo: os investidores/aforradores devem pôr as emoções de lado, manterem a calma e não se deixarem levar pelo pânico.
Em relação às estratégias que devem ser seguidas durante a actual turbulência, os especialistas dividem-se. Diogo Serras Lopes acredita que "um investidor muito conservador, para quem o capital investido não deve estar em risco, os depósitos a prazo são uma opção correcta". Já Paulo Ramalho tem uma posição diferente. Para este responsável, a estratégia de investimento mais adequada no actual contexto passa por " colocar a larga maioria do património em títulos (acções e obrigações de acordo com perfil de risco) de bons emitentes distribuídos sobretudo, pela zona euro". E justifica a razão desta escolha: "Estes activos são património dos clientes e não passivos bancários, portanto o seu valor não depende da solvência das instituições financeiras". Fique a conhecer em oito passos os riscos associados às suas poupanças e algumas dicas para minimizar o risco de perdas na actual conjuntura.
1. Enfrente a realidade: Nada é 100% seguro
Se há uma lição que esta crise veio lembrar aos investidores é que não há investimentos 100% seguros. Todos os instrumentos financeiros têm um nível de risco associado, ainda que este seja reduzido, mesmo naqueles produtos que são percepcionados como mais seguros. Por exemplo, os depósitos correm o risco de o banco depositário entrar em falência. Já os populares certificados de aforro correm o risco de o Estado entrar em incumprimento. No entanto, importa ressalvar que essa é uma hipótese muito remota.
2. Não concentre todo o seu dinheiro num único banco
Os especialistas em gestão de activos são unânimes em aconselhar as pessoas a não colocarem todos os ovos no mesmo cesto, porque se o cesto cai ao chão todos os ovos se partem. Assim, para minimizar os riscos de investimento, as pessoas não devem concentrar todo o seu dinheiro numa única instituição, mas partilhá-lo por vários bancos. Assim no caso de insolvência de um banco, não ficaria com o seu saldo a reduzido a ‘zeros', visto ter outras poupanças aplicadas em outras instituições.
3. Depósitos até ao limite da garantia
Uma outra forma de minimizar o risco associado aos depósitos é aplicar o dinheiro até ao limite legal coberto pelo fundo de garantia de depósitos. Ou seja: 100 mil euros. Esta é uma das dicas de Paulo Ramalho, CEO da OK2Deal. Apesar de não aconselhar neste momento a aplicação em depósitos, este responsável explica: "Como os depósitos são o melhor instrumento em termos de gestão de liquidez, deverá nestes casos distribuir pelos bancos até ao limite de 100 mil euros por titular".
4. Conheça bem o que está a subscrever
Se o seu banco lhe propuser a subscrição de um produto financeiro, faça perguntas e tente compreender de que aplicação se trata. Recorde-se que muitos clientes do BPP subscreveram produtos de retorno absoluto julgando tratarem-se de depósitos. O mesmo aconteceu com alguns clientes do BPN, a quem lhes foi proposta a subscrição de papel comercial da SLN Valor como se tivesse as mesmas garantias do que um depósito. Um cliente-mistério realizado recentemente pelo Diário Económico pelas dez maiores instituições a operar mostrou que nem sempre as informações divulgadas pelos funcionários dos bancos correspondem às reais condições inscritas nos prospectos dos produtos. Por isso, peça sempre o prospecto das aplicações financeiras que lhe propuserem e coloque questões, em caso de dúvidas.
5. Há mais vida além dos depósitos
Mesmo os investidores mais conservadores e que não gostam de correr riscos devem diversificar as aplicações onde colocam as suas poupanças. Ou seja, uma pessoa não deve ter o dinheiro aplicado todo em depósitos. Há no mercado outras alternativas com um nível de risco baixo que ajudam a diversificar o portfólio. É o caso dos certificados de aforro, dos fundos de tesouraria e do mercado monetário, PPR, seguros de capitalização ou fundos de obrigações. O objectivo é compor uma carteira com activos diferentes, em que os riscos não sejam afectados da mesma forma por diferentes eventos.
6. Que produtos de investimento estão cobertos pelo SII?
Enquanto os depósitos estão protegidos pelo fundo de garantia de depósitos (FGD), os outros instrumentos financeiros estão cobertos pelo sistema de indemnização aos investidores (SII) até ao limite de 25 mil euros por titular e não por conta. Isto significa que numa conta com dois titulares, o reembolso máximo seria de 50 mil euros. Estão cobertos pelo SII investimentos feitos em valores mobiliários (como acções, ou obrigações), unidades de participação em fundos de investimento, opções, futuros, swaps, entre outros. Os produtos estruturados, considerados instrumentos financeiros complexos, também estão ao abrigo do SII (mesmo que tenham uma componente de depósitos associada). Para saber com rigor quais são as aplicações abrangidas pelo SII, consulte a página da CMVM.
7. Seguros sem mecanismo de protecção mas.....
Ao contrário do que acontece com os depósitos e dos produtos de investimento, no caso dos seguros não existe nenhum mecanismo de protecção legal. Ou seja, se tiver um seguro de vida numa seguradora e se ela falir, não existe uma cobertura legal para estes investimentos. Mas há razões para estar preocupado? A resposta é negativa. Segundo o ISP, a "legislação impõe a existência de garantias financeiras que pretendem assegurar que, em cada momento, as empresas de seguro se encontram em condições de efectuar as prestações a que se vinculam no âmbito dos contratos de seguro que se celebrem". Assim, além de terem de constituir provisões técnicas, as seguradoras devem ter uma margem de solvência coberta pelos fundos próprios. E neste campo o ISP refere que a taxa de cobertura da margem de solvência das empresas de seguros passou de 158% em 2008 para 200% no final de 2009%, um indicador a demonstrar a solidez do sector segurador. Segundo o ISP, uma forma de os aforradores mais conservadores minimizarem o risco, nesta altura de grande volatilidade, é através da opção por seguros com garantia de capital e taxa de juro.
8. Nem todos os bancos beneficiam do mesmo fundo de garantia de depósitos
A legislação prevê que os depósitos sejam cobertos até um limite de 100 mil euros por titular de conta. No entanto, há alguns pontos aos quais deve estar alerta: esta garantia só está em vigor até ao final de 2011. A partir de 1 de Janeiro de 2012, o fundo voltará a pagar apenas 25 mil euros por depositante. Outro ponto a ter em conta é que nem todos os bancos estão cobertos pelo fundo de garantia de depósitos português. No total, são cerca de 53 as instituições financeiras que estão abrangidas pelo FGD. De fora, ficam ainda 134 instituições de crédito a actuar no mercado nacional. No entanto, não significa que os depósitos destas entidades não estejam assegurados. Isto porque estão dispensadas de aderir ao FGD nacional as sucursais de bancos sediados noutros países da União Europeia, uma vez que a cobertura de depósitos junto destas instituições é dada pelo regime de garantia do país onde se localiza a sede do banco. Para qualquer dúvida, deverá consultar o ‘site' do Banco de Portugal.
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Comentários (18)
Fiz um deposito a prazo 6 meses e o banco paga 5% de juro. Consultei vários bancos antes e a oferta foi entre 1,5 e 2,5% como se pode verificar, isto está descontrolado, temos que negociar para obtermos um juro melhor.
Fiz um deposito a prazo 6 meses e o banco paga 5% de juro. Consultei vários bancos antes e a oferta foi entre 1,5 e 2,5% como se pode verificar isto está descontrlado, temos que negociar para obtermos um juro melhor.
Deitar mão ao BPN sim, ao BPP não deitaram a mão e os depositantes continuam a ser lesados diariamente!
a melhor solução é guardar o dinheiro debaixo do colchão. Também há o perigo de assaltarem a casa mas é diferente quando os Bancos nos assaltam
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