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Economia

27 Fev 2013

5 ideias para Portugal vencer a crise

Margarida Peixoto

O economista, Sérgio Rebelo, veio dos Estados Unidos para ajudar a pensar caminhos de saída para a crise nacional.

Portugal precisa de aprender a vender aquilo que os mercados procuram, e não aquilo que as empresas nacionais consideram que é bom. Esta é apenas uma das cinco sugestões que Sérgio Rebelo, economista e professor na Kellogg School of Management nos Estados Unidos, apresentou hoje.

O professor foi o convidado da terceira sessão dos Encontros da Junqueira, organizados pela Associação Industrial Portuguesa, que visa reflectir sobre os principais temas da actualidade.

1. Vender o que o mercado procura
"Os portugueses querem vender aquilo que funciona no mercado interno", defendeu Sérgio Rebelo. "Acham que sabem o que é a qualidade e é isso que querem vender", continuou o professor, "mas o mercado português é pequeno e idiossincrático, por isso a ideia não funciona". O economista deu o exemplo do vinho, defendendo que este é um sector onde as empresas precisam de apostar em marcas mais fáceis de internacionalizar.

2. Apostar mais nos extremos da cadeia de valor
Com a emergência da produção chinesa e da tecnologia, a cadeia de valor de um produto alterou-se, explicou o professor. A produção propriamente dita perdeu valor, enquanto os dois extremos - a criação e desenvolvimento do produto, mais o design, o branding e venda a retalho - ganharam valor. A economia portuguesa "precisa de colocar mais ênfase nos extremos da cadeia de valor", defendeu Sérgio Rebelo.

3. Ser a porta de entrada das multinacionais na Europa
A grande vantagem de produzir localmente é gerir o risco cambial, já que permite ter os custos e as vendas na mesma moeda, explicou o economista. Assim sendo, "por que é que Portugal não há-de criar as condições para que as multinacionais que querem produzir em euros, produzam em Portugal", questionou.

4. Tornar os produtos mais simples e baratos
"Nos próximos 20 anos, os países em vias de desenvolvimento vão procurar luxo, mas os países desenvolvidos vão procurar valor", sublinhou Sérgio Rebelo. O professor explicou que uma saída possível é olhar para os produtos ou serviços que já existem, mas que são caros porque têm um grau de complexidade e de funcionalidade muito levados, e simplificá-los. Desta forma, podem tornar-se mais baratos e responder à procura dos mercados emergentes.

5. Ser uma economia mais amiga do investimento
"A economia portuguesa precisa de melhorar o ambiente económico e de se tornar mais amiga do investimento", defendeu o professor. Sérgio Rebelo frisou que para que haja investimento é preciso resolver o problema da incerteza, que continua por ser eliminada.

 

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