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A retalhista liderada por Pedro Soares dos Santos lidera os ganhos na bolsa de Lisboa este ano.
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Se comprou acções da Mota-Engil e vendeu títulos da Jerónimo Martins (JM) este ano talvez deva ponderar trocar de corretor.
É que a retalhista ganha 68% este ano, o quarto melhor desempenho de sempre desde que entrou em bolsa, em 1994.
João Flores, do Millennium investment banking, explicou ao Económico que "as coisas têm estado a correr bem na Polónia e também em Portugal, estando a empresa a ganhar quota de mercado". O mesmo perito frisa ainda que "sendo uma retalhista alimentar (o não alimentar tem um peso residual), está integrada num sector refúgio, o que dá segurança aos investidores".
No que respeita os resultados revelados, também "não tem havido surpresas negativas, antes pelo contrário", comenta João Flores, argumentando ainda que o ambiente de crise de dívida soberana acabou por puxar pelo preço da retalhista. "Pelo facto de ser uma empresa cada vez mais exposta ao estrangeiro, acaba por beneficiar deste contexto, dada a menor exposição a Portugal", conclui.
A companhia liderada por Pedro Soares dos Santos é a que mais ganha este ano no índice da Bloomberg para o sector europeu do retalho, que sobe pouco mais de 5% desde 1 de Janeiro.
Mota a caminho do pior ano de sempre
Do lado das piores prestações em 2010, a Mota-Engil afunda 56%, o desempenho anual mais negativo desde 1994, quando a construtora agora liderada por Jorge Coelho entrou para a bolsa.
Pedro Lino, CEO da Dif Broker, explica ao Económico que todo o sector da construção foi afectado pela "polémica em torno das obras públicas, às dúvidas em relação ao que ia avançar ou não".
Prova disso é que, fora do PSI 20, a Soares da Costa afunda 57% este ano, o segundo pior desempenho na Euronext Lisbon, depois da Glint (-61%).
Quanto à Mota-Engil, Pedro Lino destaca que "apesar de ser uma empresa que está bastante internacionalizada, Portugal ainda pesa bastante na carteira", o que condicionou a evolução do título.
Para o próximo ano, o especialista diz que o sector deve continuar a ser penalizado, mas em relação à construtora liderada por Jorge Coelho, o CEO da Dif Broker refere que "o problema ou a vantagem é que o mercado está já a descontar um cenário bastante mau para a empresa. Por isso não é linear que uma conjuntura má no próximo ano penalize ainda mais a Mota-Engil".
Bancos estão entre os que mais perderam
BES, BPI e BCP também figuram entre os piores desempenhos, com perdas superiores a 30% em 2010, ano que ficará marcado pela crise de dívida europeia que levou os indicadores de risco de Portugal a baterem sucessivos máximos históricos.
De acordo com Pedro Lino, vários factores ditaram estas perdas no sector financeiro: subida exponencial do custo do financiamento, contratos feitos com 'spreads' muito baixos que agora estão a dar prejuízos aos bancos, dificuldades na capacidade de captar fundos e também as novas exigências ao nível da regulação com Basileia III.
"Os bancos vão ser obrigados a reforçar capitais e os investidores podem vir a receber menos dividendos", explicou.
Quando falta apenas uma sessão para o final do ano, o balanço anual do PSI 20 não é o mais animador: o principal índice português perde 9,6%, o pior desempenho desde 2008, quando registou a maior queda de sempre (-52%) no rescaldo da falência do Lehman Brothers.
Além da Jerónimo Martins, só mais quatro das vinte cotadas do PSI 20 se preparam para fechar 2011 com ganhos (ver tabelas em baixo).
- As 5 maiores quedas
| Mota-Engil | -56% |
| Inapa | -41,41% |
| BES | -36,39% |
| BPI | -34,67% |
| EDP Renováveis | -34% |
- As 5 subidas do PSI 20
| Jerónimo Martins | 68,19% |
| Portucel | 23,8% |
| Galp | 20% |
| Portugal Telecom | 9,25 |
| Semapa | 8,63% |
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