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Os pedidos de empréstimo dispararam 600%, mas representam apenas 2% dos estudantes.
O número é impressionante, pelo menos à primeira vista: houve um aumento de mais de 600% de estudantes universitários, em Portugal, que recorreram à linha de crédito com garantia mútua para financiar os seus estudos, nos últimos dois anos. Só que estes números não são motivo para "regozijo", porque representam uma percentagem de apenas 2% do universo de estudantes do ensino superior, defende Luísa Cerdeira, investigadora da Universidade de Lisboa e autora da tese de doutoramento "O financiamento do ensino superior português". Num total de 370 mil estudantes nas universidades e politécnicos, são apenas cerca de 11 mil os que recorreram a esta opção. Uma "adesão pouco expressiva" que, na opinião da especialista de financiamento, se deve "à divulgação bastante restrita" deste modelo de empréstimo.
"Se queremos ter um programa de empréstimos que possa ser considerado como tal, tem que haver outra divulgação e a grande população deve saber que ele existe e que pode aceder, senão estamos a falar de casos residuais", sublinha.
Para além disso, a especialista não vê com bons olhos o indicador de que "cerca de um terço destes alunos também recebe uma bolsa" da Acção Social. Segundo Luísa Cerdeira, "esse é o problema", os jovens que se vêem obrigados a contrair um empréstimo, apesar de já terem um apoio do Estado, mas que não é suficiente para viverem.
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