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Investimento

10 dicas para sobreviver à turbulência dos mercados

Luís Leitão  
04/05/10 00:05

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1 leitores

O Económico mostra-lhe as regras de ouro que devem fazer parte do manual de sobrevivência de qualquer investidor prevenido.

Pode até parecer que, por momentos, a tempestade perfeita tomou conta da praça portuguesa e que não bastaria muito para as acções registarem níveis de desvalorização recorde. Foi isso que sucedeu na última semana, com o PSI 20 a registar movimentações alucinantes, deixando muitos investidores à beira de um ataque de nervos. Muitos não aguentaram a queda de mais de 5% do principal índice da praça lisboeta no dia em que a Standard & Poor's cortou o ‘rating' da República Portuguesa, e correram cegamente ao mercado a fecharem posições. Hoje, muitos desses investidores deverão a estar a lamentar-se dessa decisão pois, desde então, muitas das empresas do PSI 20 já recuperaram do susto. Aprenderam da pior maneira de como uma decisão tomada a quente pode prejudicar uma carteira de investimento.

1. Não se assuste nem entre em pânico: Mantenha a cabeça fria
O mercado não é nem preto nem branco. Diariamente veste-se de uma mescla de diferentes cores consoante os humores dos investidores. Por isso, por mais negro que um quadro possa ser pintado, como o que sucedeu na semana passada, mais tarde ou mais cedo a tempestade acabará por passar. Por esse motivo, tomar decisões a quente costuma não dar bom resultado e provocar até situações de arrependimento. O mesmo se aplica para momentos de euforia. Pensar de cabeça fria é o melhor remédio para curar uma dura ressaca da bolsa.

2. Aproveite para reforçar: Ganhos com ainda mais potencial
Os investidores que já estão expostos ao mercado accionista podem encarar as recentes correcções como uma oportunidade de investimento. Não se trata de comprar acções com o intuito de baixar o preço médio da posição que já detém numa companhia, mas de reforçar o investimento numa empresa que continua a apresentar dados fundamentais estáveis mas que, como resultado de uma maré de pânico momentânea dos investidores, sofreu, por arrasto, uma correcção no preço.

3. Seja muito disciplinado: Mantenha-se fiel a uma estratégia
Mais do que nunca ser disciplinado e manter-se fiel a uma estratégia de investimento revela-se fundamental para gerir com sucesso um portefólio. Mudar diariamente de política de investimento só serve para afastar a atenção do principal. Faça os trabalhos de casa sobre uma empresa, um fundo de investimento ou outro qualquer activo que deseja adquirir e trace uma estratégia de investimento com base, por exemplo, num método de reforços mensais, trimestrais ou anuais e mantenha-se fiel a essa política. Desta forma, afastará grande parte da cacofonia do mercado da gestão das suas poupanças.

4. Invista de olhos no futuro: O tempo é o maior aliado
Já parece um cliché mas a verdade é que o tempo é o maior aliado dos investidores. Por essa razão o horizonte temporal de qualquer investimento financeira deve focar-se no longo prazo. Isto significa que um plano de investimento a cinco anos é melhor que a três e a dez é preferível a seis. Só desta maneira os investidores conseguirão amenizar o impacto das perdas momentâneas e capitalizar os ganhos gerados ao longo dos anos.

5. Não coloque todos os ovos no mesmo cesto
A diversificação é outra das palavras de ordem que deverá fazer parte do vocabulário de qualquer investidor bem informado. Adopte, por isso, a máxima: não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Só assim evitará que uma eventual rasteira dos mercados acabe, num abrir e fechar de olhos, com todas as suas poupanças. Será fundamental repartir o seu dinheiro por activos com risco e sem risco, que variará sempre consoante o perfil de risco de cada investidor.

6. O ‘market timing' não funciona: Cuidado com o que procura
Deixe os mínimos e máximos para os outros porque dificilmente conseguirá comprar no valor mínimo e vender no valor máximo. Prefira ser proactivo e não reactivo. Defina uma alocação de activos que encaixe no seu perfil e cumpra-o: tenha mais dinheiro aplicado em activos de baixo risco que em acções, se achar que o mercado accionista está sobreavaliado, por exemplo. E a partir daí faça uma gestão saudável, isto é, não esteja todos os dias a alterar posições com o intuito de encontrar o ponto mais baixo para comprar e o ponto mais elevado para vender. Prefira dar lugar a uma estratégia contínua e sã, para o seu coração e para a sua carteira.

7. Poupe para não ter de vender a correr: O papel de um bom pé-de-meia
Em tempo de crise, a liquidez é sinónimo de boa saúde financeira. É por este motivo que, com as taxas de juro em níveis tão baixos, muitos aforradores preferem guardar o dinheiro em contas à ordem em vez de manterem esses euros aplicados em depósitos a prazo. Estão a sacrificar no rendimento mas ganham em liquidez e, com isso, conseguem uma maior flexibilidade. Quer seja na conta à ordem ou em depósitos a prazo de curta duração é importante ter o cuidado de reservar uma parte do portefólio mais conservador em dinheiro, para que, em caso de uma emergência, não tenha que ir a correr ao mercado para gerar liquidez.

8. Antecipe tendências e ciclos económicos: Investigue antes de comprar
Até hoje ainda não se descobriu uma bola de cristal que seja capaz de dizer o que irá acontecer no futuro e, por essa razão, ninguém é capaz de dizer com toda a certeza para onde seguirão os mercados nos próximos tempos. Todavia, os investidores mais informados conseguem detectar tendências e ciclos económicos primeiro que a maioria colocando-os em vantagem face ao resto da "manada". Ler nas entrelinhas dos relatórios de ‘research' das casas de investimento e estar atento às notícias é um trabalho que deve ser feito diariamente e que gerará frutos substanciais para a carteira dos investidores.

9. Espere sempre o inesperado: O mercado não é o inimigo
Os mercados são hoje mais voláteis do que eram há uns anos. A "culpa" desta realidade pode ser vaticinada pelo poder da internet que possibilitou a negociação durante 24 horas por dia de qualquer ponto do planeta. Isto significa que actualmente as variáveis que influenciam o preço dos activos é muito mais abrangente do que era há uns anos e, por essa razão, os investidores que estiverem mais cientes desta realidade e aptos a aceitarem o que o mercado oferece de forma natural serão também os mais bem sucedidos. "Espera o inesperado do mercado" é hoje uma regra de sobrevivência para qualquer investidor.

10. O passado não é mais que história: A nostalgia não gera mais-valias
Nos prospectos dos fundos pode ler-se que rendibilidade passadas não são garantia de rendibilidade futuras. Esta é a primeira regra que qualquer investidor deve assimilar antes de investir as suas poupanças. Na bolsa, nada está garantido e o que sucedeu nos últimos dez anos dificilmente se voltará a repetir. Por essa razão o passado deve ser encarado pelos investidores como uma medida de qualidade e não como uma garantia de ganhos futuros.

 

 





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Comentários (1)

Dax Speculator, | 04/05/10 11:01
A diversificação é usada apenas por quem não sabe o que está a comprar...


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