A Doutrina do Choque é a história absorvente de como as políticas de "mercado livre" da
América têm vindo a dominar o mundo - através da exploração de povos e países em choque devido a inúmeros
desastres.
Na conjuntura mais caótica da guerra civil do Iraque, é apresentada uma nova lei que permitiria à Shell e à BP reclamar
para si as vastas reservas petrolíferas do país... Imediatamente a seguir ao 11 de Setembro, a administração Bush
concessiona, sem alarido, a gestão da "Guerra Contra o Terror" à Halliburton e à Blackwater... Depois de um tsunami
varrer as costas do sudeste asiático, as praias intocadas são leiloadas ao desbarato a resorts turísticos... Os residentes
de Nova Orleães, espalhados pelo furacão Katrina, descobrem que as suas habitações sociais, os seus hospitais e as
suas escolas jamais serão reabertas... Estes acontecimentos são exemplos da "doutrina de choque": o aproveitamento
da desorientação pública no seguimento de enormes choques colectivos - guerras, ataques terroristas ou desastres
naturais - para ganhar controlo impondo uma terapia de choque económica. Por vezes, quando os dois primeiros choques
não são bem sucedidos em eliminar a resistência, é empregue um terceiro choque: o eléctrodo na cela da prisão
ou a arma Taser nas ruas.
Baseado em investigações históricas inovadoras e em quatro anos de relatos no terreno em zonas de desastre, A Doutrina
do Choque mostra de forma vívida que o capitalismo de desastre - a rápida reorganização corporativa de sociedades
que tentam recuperar do choque - não começou com o 11 de Setembro de 2001. O livro traça um percurso das
suas origens que nos leva há cinquenta anos atrás, à Universidade de Chicago sob o domínio de Milton Friedman, que
produziu muitos dos principais pensadores neoconservadores e neoliberais cuja influência, nos nossos dias, ainda é
profunda em Washington. São estabelecidas novas e surpreendentes ligações entre a política económica, a guerra de
"choque e pavor" e as experiências secretas financiadas pela CIA em electrochoques e privação sensorial na década de
1950, pesquisa essa que ajudou a escrever os manuais de tortura usados hoje na Baía de Guantanamo.
A Doutrina do Choque segue a aplicação destas ideias através da nossa história contemporânea, mostrando em assombroso
detalhe a forma como eventos do conhecimento geral têm sido palcos activos e deliberados para a doutrina do
choque, contando-se entre eles: o golpe de estado de Pinochet no Chile em 1973, a Guerra das Malvinas em 1982, o
massacre na Praça de Tiananmen em 1989, o colapso da União Soviética em 1991, a Crise Financeira Asiática em
1997 e o furacão Mitch em 1998.
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