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A Sonae vai esperar um ano para ver se a separação da PT Multimédia (PTM) da casa-mãe Portugal Telecom (PT) vai cumprir as expectativas de concorrência no sector das telecoms em Portugal, disse hoje o chairman da Sonae, Belmiro de Azevedo.
Segundo noticia a agência Reuters, Belmiro de Azevedo acrescentou que a forma como está a ser feito o 'spin-off' da PTM está a levar à criação de duas empresas gémeas, com o Estado a deter uma posição relevante em ambas.
A Sonae lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o grupo PT, em Fevereiro de 2006, mas o 'bid' acabou por falhar em Março deste ano com os accionistas da PT, incluindo a estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), a 'chumbar' a desblindagem de estatutos da empresa.
"A nossa posição é esperar um ano (após o fim da OPA sobre a PT) para estarmos muito atentos. Seria muito mau se as expectativas que foram criadas (de concorrência) não fossem cumpridas", afirmou o empresário, aos jornalistas, à margem de um evento da Cotec-Associação Empresarial para a Inovação.
"O que estão a fazer (com o 'spin-off' da PTM) é a criar 'gémeos'", acrescentou quando questionado sobre as notícias de que a CGD vai ser o maior accionista da PTM.
Segundo a imprensa, a CGD comprou os 10,6% que o Barclays Bank detinha na PTM pelo que após o 'spin-off' ficará com 15,2% do capital da PTM, que detém o maior operador de TV por cabo em Portugal, tendo conteúdos exclusivos, como jogos de Futebol.
A CGD e a PT têm-se escusado a comentar estas notícias que surgiram há cerca de duas semanas.
A PT detém o maior operador de rede fixa fixo, rede móvel e controla o acesso à Internet em banda larga.
A CGD possui 5,11% da PT e o Estado detém ainda uma 'golden share' na empresa.
Belmiro de Azevedo lembrou que o reforço da CGD na PTM apenas foi divulgado na imprensa já que em termos oficiais não houve qualquer notificação.
No âmbito do 'spin-off' da PTM, a PT vai atribuir a cada accionista quatro acções da PTM por cada 25 acções da PT.
Após a cisão, o BES terá 13% da PTM, o BPI 5,2%, a Telefónica 4,9%, a Fundação Berardo 4,4%, a Brandes Investment 3,7%, a Ongoing 3,1%, a Colaney 2,2%, o UBS 2%, a Telmex 1,8% e a Controlinveste 0,9%.
Belmiro de Azevedo assegurou que a relação pessoal com o primeiro-ministro José Sócrates não ficou afectada com o 'chumbo' da OPA da Sonaecom.
"Não tenho pazes nenhumas para fazer com o primeiro-ministro. O actual primeiro-ministro é um decisor e está a fazer algumas coisas bem feitas. A relação pessoal não está afectada", sublinhou.
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