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OPA à PT

Personal Value diz que OPA à PT deverá falhar mas antecipa "segundo 'round'"

Nuno Miguel Silva, Bruno Faria Lopes e Ricardo Domingos  
08/02/07 10:06


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O presidente da gestora de patrimónios Personal Value prevê que a oferta pública de aquisição (OPA) da Sonaecom sobre a Portugal Telecom (PT) falhe, mas antecipa um "segundo round" que garantirá a Belmiro de Azevedo o controlo da operadora.

"A Sonae não deverá subir o preço da OPA, porque já pagou um prémio relativamente importante pela PT, considerando o preço a que a cotação estava há um ano atrás, quando a operação foi lançada, e assim vai ser complicado conseguir comprá-la", sustentou o presidente do conselho de administração da gestora.
      
Em entrevista à agência Lusa, Ricardo Valente notou que  actual estrutura accionista da PT "é, basicamente, dominada por institucionais e por fundos de investimento", que "entraram baseados num cenário de revisão para cima do preço da OPA e não deverão, portanto, vender ao preço inicial".
      
"Penso que OPA, do ponto de vista do mercado, vai falhar", afirmou.
      
"Tenho dúvidas é que acabe aqui e não haja um segundo 'round' em que a Sonae terá muito a ganhar", acrescenta.
      
Convicto de que a questão "está para durar", Ricardo Valente acredita que a OPA em curso é apenas "a primeira batalha de uma guerra muito longa, porque o sector de telecomunicações ficará completamente diferente".
      
Para a Personal Value, a esta primeira OPA da Sonaecom poderá seguir-se uma outra, novamente lançada pela empresa do grupo de Belmiro de Azevedo, mas já com um mercado de telecomunicações completamente alterado.
      
"Na sequência da primeira OPA, a concorrência abriu-se e a PT vai ter de separar as suas redes de cobre e de cabo e autonomizar a PT Multimédia", explicou, salientando que, "em última instância, a Sonae pode até não tocar na PT e avançar só com uma OPA sobre a PTM".
      
Uma decisão a tomar "talvez não logo imediatamente a seguir ao falhanço da primeira OPA, mas a médio prazo", arriscou.
      
Entretanto, Ricardo Valente afirma-se "curioso" para verificar "quanto vale a PT sem uma OPA em cima".
      
"Claramente uma história de má gestão, com uma estratégia muito titubeante, um corpo accionista muito fraco e um conselho de administração em funções exactamente igual ao que a levou à situação actual, nas mãos destas pessoas a PT desvaloriza-se por si", considerou.

Por este facto, disse, "o tempo vai certamente dar razão à Sonae e, num segundo 'round', toda a gente deverá abraçar uma OPA sem pestanejar, a este preço ou a um ainda mais baixo".
      
Apontando a Sonaecom como "claramente vencedora" neste processo, a Personal Value acredita que a PT irá, contudo, também sair a ganhar.

Alvo de uma profunda reestruturação accionista nos últimos anos, na sequência da qual passou a ser quase integralmente detida pelos respectivos gestores, a Personal Value está sedeada no Porto e gere actualmente uma carteira de activos na ordem dos 25 milhões de euros, que a coloca no 4º lugar do ranking das maiores sociedades gestoras em Portugal.
      
Os objectivos da gestora, vocacionada para gerir carteiras de dimensão acima dos 250 mil euros, passam por atingir uma carteira de activos na ordem dos 100 milhões de euros em 2008, ano em que se propõe subir ao 3º lugar do ranking do sector.

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