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Investir nos Emiratos Árabes Unidos

A ilha em forma de palmeira onde não há palmeiras

Bruno Faria Lopes, no Dubai  
20/11/07 01:05

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Um dos projectos mais emblemáticos do Dubai é a Palm Jumeirah, uma das três ilhas artificiais do projecto Palm Islands, onde as casas atingem milhões.

“Isto que está aqui é o Dubai”, mostra o engenheiro civil Guilherme Santos, ao mesmo tempo que desdobra sobre a mesa o mapa do emirato, que revela um território pequeno, com apenas 40 quilómetros de costa e outros 100 para o deserto interior. “A terra mais valiosa é, de longe, a que está perto do mar: então eles decidiram construir ilhas artificiais, fabricando assim mais de 300 quilómetros de costa, que vão poder explorar”, explica o gestor de projecto que trabalha para a britânica Mace e está há três anos no Dubai. Estas ilhas artificiais não são apenas ilhas: três terão a forma de palmeira e outro arquipélago irá reconstituir (e vender) o mapa-mundo.    

Assim é o Dubai, o emirato onde o dinheiro e a capacidade de executar projectos aparentemente impossíveis superam até os constrangimentos da geografia - e onde, passado apenas uns dias de estada, um visitante começa a habituar-se à mistura de originalidade megalómana e luxo ostensivo. O Diário Económico quis ver mais de perto um dos mais emblemáticos projectos em curso no Dubai, a ilha Palm Jumeirah e, com a ajuda de um profissional português que participa no projecto, teve acesso à área em construção.

A Palm Island é aquilo que o seu nome vende: um enorme complexo em forma de palmeira, no qual ao longo do tronco, folhas e coroa exterior (de 11,5 quilómetros) se irão concentrar (e já se concentram) 1.500 moradias, 2.500 apartamentos, 30 hotéis de cinco estrelas e um ‘resort’ avaliado em 1,2 mil milhões de dólares (818,4 milhões de euros), entre outros. Quando em 2002 um dos gigantes do imobiliário do Dubai, a Nakheel, pôs parte do projecto no mercado, todas as moradias e apartamentos foram vendidos em 72 horas. Muitas destas compras foram verdadeiras tomadas de posição, para posterior revenda - uma casa comprada em 2002 por 575 mil euros foi vendida recentemente por 3,9 mil milhões. Os compradores vêm de todo o lado: russos, sauditas, indianos e norte-americanos fazem parte do lote. Também há europeus e muitos: os futebolistas britânicos David Beckham e Michael Owen são proprietários de uma moradia, num golpe publicitário do Dubai para se promover (na mesma lógica, o xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum ofereceu aos actores Angelina Jolie e Brad Pitt uma ilha no Dubai World, o arquipélago que representa o mundo). Cerca de 27% deste complexo foi comprado por investidores britânicos e um terço por locais, principalmente do Dubai e Abu Dhabi.

O Diário Económico entrou pelo tronco e, passada a poeira e caos iniciais típicos num sítio desta dimensão ainda em construção, guiou pelas folhas C e D. A estrada passa entre duas filas de moradias meticulosamente alinhadas, com um pequeno jardim em frente: um retrato que à partida remete para uma paisagem de subúrbio norte-americano. À primeira vista, as casas parecem todas iguais, mas na verdade não o são - há um conjunto de diferentes tipos arquitectónicos que alternam entre si e que pretende alimentar a sensação de diversidade. O que mais impressiona o visitante não é a praia dos dois lados de cada folha, nem a vista para os arranha-céus do Dubai, mas sim a curta distância entre as casas, que não oferece qualquer privacidade. “A pressão do imobiliário, aqui, traduz-se numa enorme densidade urbana, tal como na cidade do Dubai”, explicou o guia do DE, que preferiu ficar anónimo. Nas ruas ainda meio desertas trabalham e descansam os trabalhadores imigrantes do Sudeste asiático, mas já se vêem algumas casas habitadas (identificáveis por sinais como fontes romanas no jardim) - em algumas das maiores, o condomínio pode chegar aos 100 mil euros, apurou o Diário Económico. E a corrente marítima em torno das folhas? Vão conseguir mantê-la? “Sim, há todo um sistema hidráulico construído para assegurar o fluxo da maré”, confirma Patrick Smith, vice-presidente da IFA Hotels e Resorts. A empresa do Kuwait é proprietária do Pine Cliffs, no Algarve, e será o maior investidor privado na Palm, com dois mil milhões de dólares em construção. “Daquilo que comercializamos, 85% já está vendido”, assegurou Smith.

A Nakheel - liderada pelo sultão Ahmed bin Sulayem, um dos três consultores mais próximos do xeque Al Maktoum, emir do Dubai- tem nos seus planos a venda de mais 50 mil apartamentos nas outras duas ilhas-palmeira em construção, que seguirão o mesmo modelo da Palm Jumeirah. Entre todas estas construções haverá sempre um pouco de tudo em termos de qualidade, apesar do preço ser sempre elevado - as casas que o Diário Económico viu estiveram longe de impressionar. “A meio do projecto pediram para substituir as fechaduras das portas porque eram muito caras”, contou um técnico envolvido na construção. “As portas de algumas casas vêm da China - as moradias ainda não tinham sido habitadas e já se podia espreitar pelas frinchas na madeira”. Contudo, materiais à parte, o ‘marketing’ do emirato mais conhecido do mundo é imbatível. 



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