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Agosto foi marcado pelo início da crise do ‘subprime’ e os investidores saíram dos fundos de investimento. O valor negativo é de 400 milhões, o pior resultado em seis anos.
A crise do sector imobiliário de alto risco dos EUA estalou no mês em que mais pessoas estão ausentes por causa das férias. Portugal estava a banhos, mas os investidores estiveram atentos aos potenciais efeitos do problema e reduziram de imediato a sua exposição ao risco. O ‘sub-prime’ tem feito mossa a todos os níveis. Desde a economia real, passando pelos vários mercados financeiros, os efeitos são cada vez mais visíveis e quantificáveis. E, por isso, a indústria de fundos portuguesa não escapou ao movimento de resgates de unidades de participação dos fundos.Em Agosto, os investidores decidiram desfazer parte das suas posições em fundos de investimento mobiliários, elevando para quase 400 milhões de euros negativos os valores das subscrições líquidas, o pior pico de verão desde 2002. Em termos acumulados desde Janeiro, o valor está perto dos 550 milhões.
Aliás, do período em análise, apenas 2006 e 2007 tem valores negativos para as subscrições líquidas das unidades de participação dos fundos de investimento nacionais. Entre 2002 e 2005 a tendência foi para os investidores reforçarem a sua exposição aos fundos durante o mês de Agosto.
“Os mercados estão intranquilos. Existem indicadores que mostram que o apetite pelo risco caiu”, afirmou Pedro Pintassilgo, gestor de fundos de acções nacionais da F&C.
À medida que são conhecidos indicadores que começam a mostrar o verdadeiro impacto da crise do ‘sub-prime’, os mercados retraem-se. Ontem, as bolsas registaram perdas importantes e a Euronext Lisboa não escapou recuando quase 1,7%.
Relativamente ao corrente ano, Agosto é o segundo pior montante do ano, pois em Janeiro o valor atingiu 555 milhões de euros negativos de Janeiro. Fonte oficial da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) explicou que, em termos históricos, o primeiro mês de cada trimestre é sempre de mais resgates que subscrições de fundos de investimento mobiliários.
Por outro lado, gestores de fundos contactados pelo Diário Económico são unânimes em afirmar que os mercados serão marcados por muito incerteza e volatilidade. Adiantam que é difícil traçar uma tendência até ao final do ano, pois a evolução bolsista está dependente das notícias que vão sendo conhecidas.
Há pechinchas bolsistas?
As acções do Crédit Agricole, Lukoil e Samsung são as maiores pechinchas mundiais depois das várias semanas de correcção das bolsas. Uma análise feita pela Bloomberg revela que estes três títulos são os que estão mais baratos face ao resto do mercado, pelo que têm grande potencial de subida.
Desde que estalou a crise imobiliária nos EUA, o valor de mercados das bolsas caiu cinco biliões de dólares (3,6 biliões de euros). O Crédit Agricole, segundo maior banco francês, está a negociar com um desconto de 19% face ao Citigroup, a Samsung está no valor mais baixo desde 2004 face às suas pares norte-americanas e a petrolífera russa Lukoil está com um desconto de 34% face à Exxon Mobil. Apesar destes saldos, os gestores de fundos alertam para a necessidade dos investidores analisarem bem o valor fundamental das empresas.
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